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JBr News #168 – Foi cloroquina versus vacina?

Logo depois de ter feito a lambança de tentar um golpe a partir de uma renúncia, o ex-presidente Jânio Quadros foi estampado na capa do Jornal do Brasil com uma foto antológica. De costas, ela aparecia com um pé virado para um lado, o outro pé virado para o outro, o tronco do corpo virado para a direita, a cabeça virada para a esquerda.


Ou seja, a foto contorcionista de Jânio Quadros era o resumo em forma de imagem dos gestos confusos do ex-presidente, de seu estilo atrapalhado de administrar o país e dar declarações. Do mesmo presidente que condecorava num dia o então ministro de Cuba Che Guevara e no outro proibia o uso de biquini nas praias.

O tempo todo Jânio fazia com os dribles de Garrincha: fazia que ia e não ia. No gesto da renúncia, fez que ia para não ir. No final, acabou indo. Achava que haveria uma reação popular à sua renúncia que lhe autorizaria a permanecer com poderes autoritários. O Congresso aceitou a sua renúncia, e Jânio, ao contrário do que pretendia, passou para a história como o breve presidente que acelerou as condições para que depois acontecesse o golpe militar em 1964.

Nenhum fotógrafo ainda conseguiu flagrar Jair Bolsonaro em dança parecida com a de Jânio para dar seus passos. Mas a verdade é que, a todo momento, Bolsonaro também tem virado um pé para um lado para em seguida virar o outro pé para o lado oposto. A toda hora vira seu tronco para a direita e a cabeça para a esquerda (aqui, falando somente das duas direções literalmente, porque em termos políticos ele só vai mesmo para um dos lados…).
Há na estratégia do presidente uma insistência na confusão. Confusão que a toda hora se soma à disseminação de informações dúbias e erradas, não se sabe se de forma intencional ou por desconhecimento.

Diante da pressão que sofre desde que começou a CPI da Covid, Bolsonaro trouxe de volta para o seu bunker de comunicação o vereador Carlos Bolsonaro. E, a partir daí, na quarta-feira, resolveu partir para o ataque, reunindo num único dia todas as suas polêmicas. Falou da China, insinuou de novo a história de o coronavírus ter sido produzido e escapado de um laboratório ou ser produto de “guerra química”, chamou de “canalha” quem é contra o tratamento precoce com cloroquina, ameaçou governadores com um decreto para proibir as estratégias de isolamento social.

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Pé virado para um lado, ontem Bolsonaro já amenizara o que dissera. Dizia que não tinha falado da China, só mencionado conceitos de guerra química. O que quisera dizer, então? Disse que ninguém na imprensa fala como surgiu o vírus. E disse que nunca chamou a covid-19 de “gripezinha”, que falava sobre seu efeito nele, pelo “histórico de atleta”.

Em primeiro lugar, nossa homenagem a Roseli Aparecida Machado, ex-vencedora da Corrida de São Silvestre, que morreu aos 52 anos de covid-19. Uma das várias constatações de que pessoas com “histórico de atleta” também correm o risco de contrair a doença de forma grave, e não como uma “gripezinha”. Sobre a forma como surgiu o vírus, há diversas reportagens a respeito. A origem está sendo investigada, mas a hipótese mais provável é que tenha vindo de animais silvestres. O mais provável, morcegos. A partir daí, teria havido a transmissão para um hospedeiro intermediário. E desse hospedeiro intermediário para os seres humanos. Quem assistiu ao filme “Contágio”, de 2011, o processo seria semelhante ao ali descrito.

Essa politica de pés trocados do presidente pode até produzir seus efeitos. A cada vez que ele busca desviar o foco com polêmicas – que muitas vezes obrigam mesmo o esforço de serem desmentidas – de fato, consegue fazer com que não se preste atenção a outras coisas.

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O problema é que tal estratégia corre o risco de acabar se desgastando. Especialmente diante da dura concretude das mais de 400 mil mortes, que hoje enlutam tantas famílias. Foi o que aconteceu com Jânio. Quando tentou seu golpe final, ele revelou-se um tiro no próprio pé.

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Em alguns momentos, a Secretaria de Saúde foi, inclusive, pressionada. Diante da oferta às vezes baixas de vacina vindas do Ministério da Saúde, havia pressão de alguns setores da sociedade no sentido de que os imunizantes reservados para a segunda dose fossem logo usados para que, assim, se ampliasse o universo de pessoas vacinadas. A secretaria resistiu a essa pressão. Manteve em seus estoques as segundas vacinas, mesmo que isso significasse em um momento desacelerar o processo. A subsecretária de Planejamento em Saúde, Christiane Braga, não tem dúvidas de que tal resolução foi um acerto.

Christiane é a convidada do JBrSaúde desta semana, programa feito em parceria pelo grupo Imagem&Credibilidade e o Jornal de Brasília. Apresentado por Estevão Damázio, o programa vai ao ar todas as quintas-feiras.

Hoje, diversos municípios do país sofrem com a falta de oferta da segunda dosagem à sua população. “Foi importante a decisão que tomamos de assegurar que quem tomou a primeira dose tivesse a segunda dose”, diz Christiane. “Optamos, mesmo sob o risco de sermos apontados como ineficientes nesse processo, por garantir que as pessoas tomassem a segunda dose. O risco de não receber a segunda dose no DF não existe”, assegura ela.

A subsecretária aponta que a segunda dose está garantida para todos os que tomaram a primeira dose no Distrito Federal. Segundo ela, pessoas de outras unidades da Federação vieram se vacinar em Brasília. Um dos dados que reforçam essa certeza está no universo de pessoas com mais de 80 anos imunizadas. O universo vacinado ultrapassou muito a estimativa. Foram vacinados 130% da estimativa dentro dessa faixa.

“Recebemos muitos idosos que não eram do DF. Mesmo para esses garantimos a segunda dose”, diz ela. A segunda dose não será ministrada para quem tomou a primeira fora de Brasília. E, como o SUS é um sistema universal, não há como negar a primeira dose a quem não seja do DF. Mas alerta: o chamado turismo vacinal deve ser evitado, porque desorganiza totalmente o planejamento.

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Na terça-feira (4), cerca de 463 mil brasilienses já tinham recebido a primeira dose. E 261,9 mil a segunda, estando completamente imunizados. Não é uma quantidade que satisfaça a subsecretária. “A campanha em Brasília segue o Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde. Durante muito tempo”, comenta ela.

Comorbidades

No momento, a Secretaria de Saúde faz a imunização das pessoas que têm comorbidades. Elas fazem parte de uma lista definida pelo Ministério da Saúde de patologias graves, que podem tornar a contaminação pela covid-19 mais perigosa. Para atingir essas pessoas, foi criado um sistema que se inicia com um cadastro feito no site da secretaria (https://vacina.saude.df.gov.br/). De um universo total estimado entre 200 e 300 mil brasilienses com comorbidades, já foram cadastrados, segundo Cristiane, 112 mil pessoas até terça-feira (4).

Uma das informações registradas no cadastro é o CPF. Se a pessoa com comorbidades já tiver em algum momento usado o Sistema Único de Saúde, seu CPF está em um banco de dados. Isso, então, permite a checagem do problema declarado, e o agendamento é feito. Se o paciente de comorbidade é atendido somente na rede particular, o agendamento é possível da mesma forma. Ele somente precisará buscar com seu médico um relatório que detalhe sua situação de saúde.

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Na primeira fase, estão sendo vacinadas pessoas com Síndrome de Down, doentes renais crônicos, gestantes e puérperas com comorbidades e quem está cadastro no Benefício de Prestação Continuidade por conta de alguma deficiência de saúde. A expectativa da Secretaria de Saúde é que todos os brasilienses com comorbidades graves recebam a primeira dose da vacina até o dia 18 de maio.

Christiane reforça no JBrSaúde a importância de se evitar querer fazer uma escolha de um dos imunizantes disponíveis. “Todas as vacinas são eficazes para a proposta que é criar um mecanismo de defesa do nosso organismo para a invasão do coronavírus”, diz ela. “Infelizmente, existe uma fake news quanto à potência e qualidade das vacinas dependendo do fabricante. Mesmo vacinados, podemos ter a doença, mas virá com uma gravidade muito mais baixa. É importantíssimo que todos se vacinem. A melhor vacina é a que está disponível”, alerta ela. “Quem optar por uma marca, não terá condições de escolher. Se não se vacinar, irá para o fim da fila”.

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JBr Saúde #009 – Segunda dose está garantida no DF
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