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Saúde

Técnica protege paciente de danos neurológicos

Você pode não saber, mas essa técnica existe e é eficiente quando feita da maneira correta por médicos capacitados

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Imagine um procedimento médico que permite proteger o paciente quanto ao risco de danos neurológicos permanentes durante a cirurgia? Você pode não saber, mas essa técnica existe e é eficiente quando feita da maneira correta por médicos capacitados. É a monitorização neurofisiológica intraoperatória (MNIO) – uma técnica de Neurofisiologia Clínica que utiliza exames para oferecer informações, em tempo real, sobre o sistema nervoso no decorrer de um procedimento cirúrgico.

A técnica é praticada no Brasil há aproximadamente 20 anos, mas só em 2015 foi regulamentada como ato médico, de acordo com o artigo 1º da Resolução 2136/2015 do Conselho Federal de Medicina, publicada no Diário Oficial da União em março de 2016. O documento proíbe que o cirurgião realize os procedimentos cirúrgicos com monitorizações neurofisiológicas intraoperatórias realizadas por um profissional que não seja médico.

Mas até hoje os médicos especialistas nessa área brigam para que a regra seja cumprida. “Depois da publicação da resolução, sistematizou melhor o nosso trabalho, mas é preciso frisar que a qualificação profissional é importante pois não é uma técnica simples”, contou a neurofisiologista Stella Caiado, que trabalha com monitorização neurofisiológica intraoperatória há aproximadamente dez anos.

Segundo a neurologista, a monitorização neurofisiológica intraoperatória foi inicialmente comercializada nos hospitais como um material especial de alto custo solicitado pelo cirurgião responsável, assim como outros materiais, como pinças específicas, por exemplo. De acordo com Stella, devido à escassez de profissionais médicos qualificados e da normatização da área, muitas empresas de material cirúrgico indicavam técnicos para manusear os equipamentos e realizar a monitorização neurofisiológica intraoperatória, “o que pode causar danos irreversíveis ao paciente”.

Isso porque a monitorização neurofisiológica intraoperatória é capaz de informar ao cirurgião se está ocorrendo um problema enquanto ainda há possibilidade de intervir, possibilitando evitar danos neurológicos permanentes, além de auxiliar também na aplicação de intervenções precoces que restabeleçam o adequado funcionamento do tecido. “A monitorização tende a evitar lesões no sistema nervoso. É como se fosse uma medicina preventiva em tempo real dentro do centro cirúrgico”, resume Stella.

A monitorização neurofisiológica intraoperatória também é responsável por transmitir segurança aos familiares do paciente, já que reduz o risco de sequelas neurológicas associadas ao tratamento cirúrgico.

Cirurgias

Entre o vasto grupo de cirurgias que se beneficiam da monitorização neurofisiológica intraoperatória, as cirurgias de coluna aparecem no topo da lista. Segundo Stella Caiado, ela também aplica a técnica em cirurgias no cérebro, vasculares, de aneurisma, de hérnia, de tireóide e até de ouvido.

O paciente, porém, nem sempre tem conhecimento de que existe esse especialista médico realizando, junto ao cirurgião, sua cirurgia. É o cirurgião quem solicita e aceita esse colega em sala operatória. “Acredito que o paciente tem que saber”, pontua Stella. De acordo com a resolução, para a realização do procedimento, se faz necessária a obtenção do “termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE), assinado pelo paciente ou seu responsável legal.”

A presença da equipe de monitorização neurofisiológica intraoperatória na sala de cirurgia não é obrigatória, mas, segundo Stella Caiado, faz toda a diferença. “Hoje em dia, nos Estados Unidos e na Europa, principalmente, ninguém opera sem a equipe de Neurofisiologia. Se tem acesso, por que não pedir?”, pontua a médica. De acordo com ela, os planos de saúde autorizam a presença da equipe pelo convênio, mas “é preciso ficar atento para que as empresas não mandem técnicos para realizar o procedimento.”


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