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Saúde

Medidas simples em casa podem manter o vírus da COVID-19 longe dos alimentos

Saiba o papel dos alimentos na transmissão do vírus

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Má alimentação pode causar ansiedade, depressão e outras doenças mentais
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Pesquisadores do Centro de Pesquisa em Alimentos (Food Research Center – FoRC) da Universidade de São Paulo esclarecem à população quais medidas são importantes para manter o vírus da COVID-19 longe dos alimentos. Assinado pelos professores Bernadette Dora Gombossy de Melo Franco, Mariza Landgraf e Uelinton Pinto, todos especialistas em microbiologia, o texto também apresenta as informações científicas disponíveis sobre o papel dos alimentos na transmissão do vírus. Leia abaixo.

Até o momento, não há qualquer evidência cientificamente comprovada de que os alimentos ou embalagens de alimentos possam transmitir, por si só, o novo coronavírus SARS-CoV-2, causador da pandemia COVID-19. A via de transmissão mais importante é através de gotículas que saem do trato respiratório superior (boca e nariz) de uma pessoa já doente ou de um portador assintomático. Para que as gotículas não atinjam outras pessoas, é necessário um distanciamento de, pelo menos, 1 metro.

Há também a possibilidade de contaminação através de contato das mãos com superfícies contaminadas com o vírus, que são transferidos para mucosas, como olhos, nariz e boca. Os dados científicos sobre o tempo de persistência de outros coronavírus em superfícies são bastante controvertidos, mas há estudos indicando que podem persistir em metal, plástico e vidro por até nove dias, dependendo da temperatura e umidade do ambiente. A boa notícia é que são inativados rapidamente pelo contato por 1 minuto com álcool etílico 62-71%, água oxigenada 0,5% ou hipoclorito de sódio 0,1%.

Caso gotículas contaminadas com o vírus cheguem até uma superfície que entrará em contato com algum alimento, é possível que esse alimento acabe contaminado. É importante ressaltar que os coronavírus não se multiplicam nos alimentos nem em superfícies, eles apenas permanecem ali, sendo o tempo de permanência dependente do tipo de superfície. Por isso, deve-se seguir rigorosamente as boas práticas de manuseio dos alimentos e reforçar a limpeza nos locais de armazenamento e preparo de alimentos.

Como já dito, não há, até o momento, nenhuma indicação que algum alimento tenha sido responsável por transmitir o coronavírus SARS-CoV-2. No entanto, algumas medidas muito simples podem ajudar a mantê-lo bem longe dos alimentos.


1. Limpeza das mãos e pulsos

Antes de manusear qualquer alimento é fundamental lavar as mãos corretamente com sabão/sabonete e bastante água corrente, não esquecendo das regiões entre os dedos, pontas dos dedos, dorso das mãos, pulsos e antebraços. A forma correta de lavar as mãos vem sendo amplamente divulgada pela internet, como, por exemplo, no site da ANVISA (www.anvisa.gov.br). Álcool em gel ajuda na desinfecção, mas não substitui a lavagem cuidadosa das mãos. Está comprovado que a medida mais importante e eficiente para prevenir a transmissão do coronavírus é a lavagem correta das mãos. O uso de luvas não substitui a lavagem das mãos. Quando a higienização das mãos é feita corretamente, não há necessidade de colocar luvas para manusear alimentos em casa. Há quem não dispense as luvas para lavar louça, mas esse procedimento não tem nenhum efeito na contenção dos vírus, nem de outros micro-organismos.

2. Limpeza na cozinha

Em tempo de COVID-19, as recomendações são as mesmas de sempre e devem ser seguidas criteriosamente. Bancadas, pias, louças e demais utensílios devem estar sempre limpos e secos, sem resíduos de alimentos. Geladeiras, freezers, fornos, fogão e demais eletrodomésticos devem ser limpos e higienizados com regularidade, usando água, sabão e sanitizantes ou água sanitária. O mesmo vale para as paredes, chão e tetos. Estes procedimentos evitam a presença dos micro-organismos indesejáveis na cozinha, inclusive o coronavírus SARS-CoV-2. Evitam também a contaminação cruzada, ou seja, a transferência de micro-organismos do ambiente ou de alimentos contaminados para alimentos não contaminados. Estudos mostram que a maioria das gastroenterites de origem alimentar e as intoxicações alimentares têm origem nos domicílios, sendo, portanto, muito importante seguir essas recomendações. Agora não é o momento de precisar de assistência médica para problemas dessa natureza, que são facilmente evitáveis.

3. Cuidados com os alimentos em casa

Para alimentos que serão consumidos crus, como os vegetais folhosos, a recomendação é remover as folhas externas ou danificadas, separar as folhas uma a uma, lavá-las com água tratada abundante e deixá-las em imersão, por 15 minutos, em uma solução de hipoclorito de sódio a 2-2,5% (duas colheres de sopa diluídas em um litro de água) ou de água sanitária diluída da mesma forma, e depois lavá-las com água tratada corrente novamente. Para vegetais não folhosos e frutas a serem consumidos com a casca, o procedimento deve ser o mesmo. Os produtos comerciais à base de cloro para desinfecção de vegetais são eficientes para eliminar a contaminação microbiana. Esses procedimentos são eficientes contra bactérias e vírus também. Água sanitária contendo outros alvejantes químicos não deve ser usada, pois alvejantes podem ser tóxicos para o organismo humano. O vinagre para fins culinários não tem nenhum efeito sanitizante e não deve ser usado para este fim.

O tratamento dos alimentos pelo calor, como cozimento e fritura, quando feitos corretamente, eliminam os vírus, caso estejam contaminando o produto cru. No entanto, é preciso evitar a recontaminação depois do aquecimento, principalmente se o alimento não for aquecido novamente antes de ser consumido. É importante também não deixar alimentos cozidos em contato com alimentos crus para evitar a já mencionada contaminação cruzada.
Não há qualquer evidência que os animais de corte para consumo humano no Brasil, como bovinos, aves e suínos etc., sejam portadores ou tenham a doença causada pelo coronavírus SARS-CoV-2. Portanto, o risco de contrair a COVID19 pelo consumo de carnes desses animais é baixíssimo.

4. Cuidados com as refeições prontas para consumo fornecidas por entrega domiciliar

Devido à necessidade de a população permanecer em isolamento em suas residências, a demanda por refeições preparadas fora de casa e entregues em domicilio está aumentando vertiginosamente. Muitos restaurantes e serviços de alimentação optaram por este tipo de atendimento, de forma a proteger os consumidores e também seus funcionários. Com o aumento da demanda, os entregadores atendem várias solicitações ao mesmo tempo, podendo involuntariamente negligenciar os cuidados necessários para garantir a segurança dos consumidores. Embora a preparação de refeições em estabelecimentos comerciais deva seguir as boas práticas determinadas pela legislação (RDC 216/2014 em nível Federal; Portaria CVS-5/2013 para o Estado de São Paulo e Portaria 2619/2011 para o município de São Paulo), o momento impede que a fiscalização seja feita de forma eficaz. Assim, cabe ao consumidor proteger a sua saúde e prestar atenção nos seguintes detalhes:

a. Encomenda: dar preferência a restaurantes e serviços de alimentação de confiança, sempre que possível. Fazer encomendas diretamente a estes estabelecimentos, por telefone ou aplicativos, evitando a interferência de intermediários desconhecidos.

b. Embalagem: sempre que possível, dar preferência às embalagens de papelão, pois o que sabe até agora é que o coronavírus resiste por mais tempo em embalagens de plástico e metal (alumínio) do que de papel. Caso a refeição seja entregue em embalagens de alumínio, fazer a desinfecção das embalagens antes de abri-las com um sanitizante. Não consumir nenhuma refeição que chegar com a embalagem danificada ou violada.

c. Temperatura: verificar se a temperatura da refeição está correta. Alimentos quentes tem que chegar quentes nos domicílios e aqueles refrigerados também precisam chegar a temperaturas abaixo de 8C.

d. Tempo: verificar se o tempo de entrega está de acordo com o acertado com o fornecedor. Não aceitar demoras acima de uma hora, pois pode haver multiplicação de outros micro-organismos que podem causar gastroenterites ou intoxicações alimentares.

e. Consumidores vulneráveis: cuidado extra deve ser tomado com refeições destinadas a pessoas com o sistema imune comprometido, como gestantes, recém-nascidos, crianças pequenas, pessoas com outras doenças e idosos, pois essas pessoas são alvos mais fáceis dos vírus.

f. Pagamento: dar preferência a pagamentos remotos por aplicativos. Não manusear dinheiro e muito cuidado com as máquinas de pagamento com cartões, elas podem estar contaminadas com o coronavírus SARS-CoV-2 ou com outros micro-organismos causadores de doenças.

g. Contato com o entregador: dar preferência a entregas indiretas, sem contato com ninguém. Vale lembrar que o entregador entrega refeições em vários domicílios e pode ser um portador de coronavírus. As empresas de entregas em domicílio estão recomendando que os entregadores higienizem suas mãos com álcool em gel, que é um cuidado que diminui o risco, mas não reduz o risco a zero. O uso de luvas por entregadores, apesar de recomendado por muitas empresas, é controverso, pois pode dar uma falsa sensação de segurança, levando o entregador e também o consumidor a relaxar nos cuidados de higiene.

h. Sobras: encomendar apenas o que será consumido imediatamente. Não armazenar refeições prontas para consumo fornecidas por entrega domiciliar no freezer ou congelador, para consumo posterior. Evitar armazenar sobras e, quando isso for necessário, mantê-las refrigeradas por, no máximo, 24 horas.

i. Higiene pessoal: Lavar as mãos antes e depois de consumir qualquer alimento. Ver item 1.

5. Cuidados com as compras de mantimentos em pontos de venda com entrega domiciliar

Até o momento, não há nenhuma legislação brasileira reguladora da entrega domiciliar de mantimentos. A recomendação de não entrar em contato direto com o fornecedor dificulta que o consumidor tenha controle sobre os mantimentos que compra dessa maneira. Assim, para assegurar a proteção de sua saúde, tanto em relação ao coronavírus SARS-CoV-2 e, principalmente, outros micro-organismos causadores de gastroenterites e intoxicações alimentares, o consumidor deve precaver-se e observar os seguintes pontos:

a. Encomenda: dar preferência a pontos de venda de confiança, sempre que possível. Fazer encomendas diretamente a estes estabelecimentos, usando o telefone ou aplicativos, evitando a interferência de intermediários desconhecidos.

b. Embalagens: verificar se os mantimentos estão protegidos, embalados separadamente, em embalagens apropriadas. Alimentos perecíveis crus, como carnes e pescados, devem estar em baixa temperatura e embalados de forma segura, de modo que não haja vazamento de líquidos. Laticínios, como iogurtes, manteiga, queijos etc., devem estar em suas embalagens originais e não apresentar qualquer alteração. Frutas e verduras devem estar íntegras, embaladas em sacos ou recipientes plásticos ou de papel ou papelão, de uso único, sem qualquer dano. Produtos processados (enlatados, conservas, panificados etc.) devem estar íntegros e não apresentar alteração, inclusive nos recipientes.

c. Alimentos de risco alto: lembrar que alimentos “prontos para consumo” são os que apresentam maior risco porque não são submetidos a um tratamento que possa reduzir ou eliminar a contaminação microbiana eventualmente presente. Por isso, deve-se evitar usar os serviços de entrega domiciliar para a aquisição de alimentos prontos para consumo que sejam de alto risco, a exemplo de pescados crus (sushi, sashimi, ostras, etc.).

d. Prazo de validade: verificar cuidadosamente se os produtos adquiridos estão dentro do prazo de validade. Devolver ou descartar aqueles que estejam com o prazo de validade vencido.

e. Higiene do entregador e do contêiner onde os alimentos são transportados:
apesar da recomendação de evitar o contato direto, é possível observar se o entregador está com roupas limpas e com a higiene pessoal em dia. Os contêineres de transporte dos alimentos, feito por motocicletas ou outras formas, devem estar limpíssimos, sem resíduos de alimentos, bolores e outras sujidades, e usados exclusivamente para transporte de alimentos. As empresas de delivery estão recomendando a desinfecção periódica desses contêineres, e o entregador deve ser cobrado a esse respeito, sempre que possível.




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