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Saúde

Festas de fim de ano trazem melancolia

Acredite: muita gente sofre com a “dezembrite”, 80% da população é atingida no período, a síndrome pode provocar ansiedade, tristeza e melancolia

Larissa Galli Malatrasi

Publicado

em

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Dezembro, verão, férias e descanso: parece o cenário ideal para uma vida tranquila e cheia de sentimentos felizes. Só que não: por incrível que pareça, no período que compreende o fim de novembro e o mês de dezembro é registrado um aumento nos casos relacionados à ansiedade e depressão. O fenômeno é chamado de Síndrome do Fim do Ano ou “dezembrite” — que, embora não seja uma doença, prejudica a saúde e piora problemas já existentes.

Enquanto a época de festas deixa uma parte da população mais feliz e cheia de esperanças para o início de um novo ciclo, outra parte é tomada por sentimentos de ansiedade, tristeza e melancolia. Segundo uma pesquisa da International Stress Management Association, o estresse individual aumenta 75% e atinge 80% da população nesse período.

A síndrome é caracterizada por um estado de ansiedade, depressão e frustração por não ter realizado todos os planos pretendidos para o ano, além de um descontrole em relação a alimentação e bebidas alcoólicas. Isso acontece porque, segundo a especialista em psicologia da saúde Marianna Cruz, o período de festas é um momento que simboliza o fechamento de ciclo.

“É normal que essa fase de balanços no desempenho do ano e da qualidade dos relacionamentos, por exemplo, mexa com o emocional dos seres humanos”, pontua.

Segundo a psicóloga, esse fenômeno é mais comum em pessoas que já apresentam um determinado perfil emocional. “Algumas pessoas que se cobram demais acabam somatizando”, explica. E isso reflete na saúde física. “Muita gente vai parar no hospital com casos de infarto”, afirma Marianna.

A especialista também acredita que o corre-corre das preparações das festas de fim de ano pode interferir na saúde física e mental das pessoas. “É um período em que geralmente as pessoas estão finalizando questões importantes no trabalho e ainda precisam lidar com a urgência de comprar presentes e organizar viagens, por exemplo — sem falar no consumismo, que também pode ser um agravante”, declara.

A cardiologista e arritmologista do Instituto do Coração de Taguatinga (ICTCor) Edna Marques de Oliveira acrescenta que essa “inquietude emocional” é comum no mês de dezembro em razão da “retrospectiva que se faz e da percepção de que nem todas as metas foram alcançadas”. Para evitar isso, de acordo com ela, é importante que, “em vez de as pessoas avaliarem o que não deu certo, elas foquem em novas metas para o próximo ano, em transformar o período em um momento de planejamento, de confraternizações”.

Perigos para o coração

Segundo a Edna Marques de Oliveira, os hormônios liberados por sentimentos de ansiedade, angústia e frustração na corrente sanguínea interferem diretamente no funcionamento do coração.
A liberação aumentada de cortisol, por exemplo, que é o hormônio liberado pelo estresse, eleva a frequência cardíaca e pode causar também um descontrole da pressão arterial e um desequilíbrio no coração”, explica.

Além da liberação de hormônios, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas — comum nas confraternizações desta época do ano — também pode afetar o coração. “Ansiedade, arritmia cardíaca, palpitação e agressividade são alguns sintomas causados pelo excesso de álcool”, pontua a cardiologista.
Edna recomenda que, mesmo durante o período de recesso, as pessoas mantenham os hábitos saudáveis e não parem de praticar exercícios físicos. “É comum entrar de férias e esquecer de cuidar da saúde, mas o coração não tira férias. Atividades físicas são boas tanto para o corpo quanto para a mente. É um bom momento para fortalecer a saúde física e mental”, completa.

A dica inicial da psicóloga Marianna Cruz para não ser atingido pela Síndrome do Fim do Ano é nutrir uma visão mais amorosa e compreensiva de si mesmo.
“Valorizar e destacar aspectos positivos e as conquistas do ano, mesmo que não tenha atingido o objetivo, também é um bom caminho”, afirma. “Se a pessoa não conseguir fazer isso sozinha, a recomendação é procurar psicoterapia”, finaliza.




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