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Saúde

Estudo aponta que 64% das pessoas com HIV já sofreram discriminação

Segundo Ministério da Saúde, 73% dos casos de HIV ocorrem em homens. Médico explica que diagnóstico precoce da doença pode oferecer maior qualidade de vida para o paciente

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Em meio ao dezembro vermelho, mês que busca voltar a atenção da população para a prevenção ao HIV, um estudo aponta que 64,1% das pessoas que vivem com o HIV e AIDS no Brasil já sofreram alguma forma de discriminação ou estigma por estar nesta condição. A pesquisa mostrou ainda que comentários discriminatórios ou especulativos já afetaram 46,3% delas, enquanto 41% do grupo diz ter sido alvo de comentários feitos por membros da própria família.

As agressões são de diferentes teores: muitas destas pessoas já passaram por outras situações de discriminação, incluindo assédio verbal (25,3%), perda de fonte de renda ou emprego (19,6%) e até́ mesmo agressões físicas (6,0%).Os dados fazem parte do Índice de Estigma em relação às pessoas vivendo com HIV/AIDS – Brasil, realizado pela primeira vez no país. Foram entrevistadas 1.784 pessoas, em sete capitais brasileiras, entre abril e agosto de 2019.

Mundialmente, em 2018, mais de 37,9 milhões de pessoas conviviam com o HIV, o vírus da imunodeficiência humana, causador da AIDS. Desse número, de todas as pessoas vivendo com HIV, apenas 79% conheciam seu estado sorológico positivo para o vírus. Ou seja, aproximadamente 8,1 milhões de pessoas conviviam com a condição, mas ainda não conheciam o diagnóstico. Os números são do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids).

Jovens e homens em evidência

Dados do último boletim epidemiológico do HIV/Aids mostram que 73% (30.659) dos novos casos de HIV em 2017 ocorreram no sexo masculino. Um em cada cinco novos casos de HIV estão entre homens de 15 a 24 anos (2017). Entre homens na faixa etária de 20 a 24 anos a taxa de detecção de aids cresceu 133% entre 2007 a 2017, passando de 15,6 para 36,2.

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E esta é uma tendência recente, como explica o médico Rafael Buta, urologista da clínica Veridium. “Este é um fenômeno relativamente recente, já que há cerca de dez anos, os pacientes só eram tratados quando havia queda dos linfócitos. Hoje em dia tratamos todos. Constatado o HIV, já é iniciado o tratamento”, relata.

O diagnóstico pode ser feito a partir da coleta de sangue ou por fluido oral. No Brasil, existem exames laboratoriais e testes rápidos, que detectam os anticorpos contra o HIV em cerca de 30 minutos. Esses testes são realizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), nas unidades da rede pública e nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA).

Um dos motivos consideráveis de o diagnóstico ser maior entre os homens, segundo Buta, é a falta de cultura de o público masculino no monitoramento da própria saúde. “Quem mantiver regularidade no acompanhamento médico, exames e visitas, se diagnosticado for, poderá buscar tratamento no tempo certo. Seguindo o tratamento proposto, é possível, mesmo com o HIV, ganhar mais qualidade de vida”, explicou o médico.




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