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Saúde

Dia Mundial de Conscientização da Esclerodermia

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A esclerose sistêmica é uma doença crônica, não contagiosa e autoimune que se caracteriza pelo endurecimento da pele. Relativamente rara e com diagnóstico difícil, ela é desconhecida até por grande parte dos profissionais de saúde no Brasil. É classificada como difusa ou limitada, de acordo com a extensão de pele acometida, e pode afetar órgãos como esôfago, estômago, rins, coração e pulmões.

De acordo com Jaime Rocha, infectologista e integrante do corpo clínico do Laboratório Exame a esclerose sistêmica faz com que o sistema de defesa do organismo ataque o tecido conjuntivo, que dá estrutura e sustentação aos diversos órgãos do corpo e está presente na pele, pulmões, coração, vasos sanguíneos, dentre outros. “Como existe um estímulo para que os fibroblastos, células que produzem colágeno, sejam produzidos em excesso, a pele fica dura”, explica o médico.

Rocha afirma que o órgão afetado com maior frequência é o esôfago (90% dos casos), sendo que os pacientes costumam apresentar disfagia, que é uma dificuldade para engolir. Os pulmões também são acometidos com regularidade, em 40% a 50% dos casos. “Há uma falta de ar progressiva, e o paciente passa a ter o órgão endurecido, denominado de fibrose pulmonar. Também pode acontecer a hipertensão pulmonar, causada pelo acometimento da artéria pulmonar. Neste caso, é necessária uma maior pressão para bombear o sangue nos pulmões”, reforça.

Diagnóstico e tratamento

De acordo com Rocha, a esclerose sistêmica é diagnosticada por uma avaliação clínica e pela realização de alguns exames de sangue e de urina. “A dosagem do fator de anticorcorpos antinucleares (FAN) é uma importante ferramenta para um diagnóstico preciso, já que o fator antinuclear (FAN) está presente em mais de 95% dos pacientes. Este exame laboratorial deve ser feito sob recomendação do médico e acompanhado de outras análises”, explica o infectologista.

Rocha lembra que quem tem esclerose sistêmica deve sempre ter a carteira de vacinação em dia, já que a imunização aumenta as defesas do corpo. As vacinas mais importantes são as contra as hepatites, a pneumonia pneumocócica e as contra o vírus da gripe.

O infectologista afirma que não há indicações de que a doença seja hereditária e a causa da doença ainda é desconhecida. Porém até dois terços dos pacientes conseguem levar vidas relativamente tranquilas, mantendo suas atividades e trabalhando. “O fenômeno de Raynaud é a primeira manifestação da esclerose sistêmica. Ele é causado pela contração dos vasos sanguíneos e é caracterizado pela presença de dedos pálidos e posteriormente roxos quando expostos ao frio, que piora a contração dos vasos sanguíneos. Pode ser preciso, em casos mais graves, recorrer a amputações”, alerta.

Por fim, o médico diz que a definição do tratamento vai depender das principais queixas do paciente e das manifestações clínicas da doença. O mais comum é a utilização de anti-inflamatórios, cortisona ou imunossupressores. “É um paciente difícil, que exige acompanhamento, e o tratamento é específico para cada órgão afetado”, finaliza Rocha.


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