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Saúde

Curados da covid sofrem com sequelas da doença

Perda de olfato e dificuldade para respirar podem permanecer por meses

Lucas Neiva

Publicado

em

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Meses após se recuperarem dos sintomas e do vírus causador da covid-19, muitos pacientes relatam a persistência de algumas sequelas, que variam desde sintomas leves provocados pelo próprio vírus — como mudanças no olfato e paladar —, a sintomas moderados como dificuldades respiratórias e até mesmo relatos de convulsões causadas por danos indiretos da doença.

A sequela mais comum relatada entre pessoas que tiveram contato com a doença é a alteração do olfato. É a experiência relatada pelo profissional autônomo Bruno Lira, de 35 anos, que contraiu covid-19 em setembro. “Eu passei duas semanas apresentando os sintomas da doença. Depois a dor de cabeça permaneceu por um tempo, mas o que ficou mesmo foi a perda do olfato. Até hoje está muito fraco”. Bruno apresentou um quadro moderado da doença, sentindo dores de cabeça e no corpo, febre, dificuldade para respirar e fadiga.

A assistente administrativa Tamires Duarte, de 23 anos, já sofreu um efeito diferente tanto no olfato quanto no paladar. Ela contraiu a doença no final de junho, apresentando quadro leve. Mas ao invés de perder os sentidos, ela ficou com eles alterados. “Durante a semana de infecção, senti um cheiro muito forte, mas passou. Mas mais ou menos em setembro eu comecei a sentir novamente. É um cheiro diferente de tudo, e às vezes também sinto mudar o gosto da comida”, relata. Tamires chegou a se referir ao cheiro provocado pela doença de “cheiro de corona”.

A pesquisadora farmacêutica Thaíssa da Costa, de 26 anos, sofreu sequelas mais graves ao contrair a forma moderada da covid-19 em meados de agosto. “Assim que o tratamento terminou, eu continuei com alguns sintomas e desenvolvi um quadro de bronquite. Mas mesmo depois da nebulização, eu continuei com dificuldade para respirar”, narra.

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Além de farmacêutica, Thaíssa é jogadora de futebol americano, e sente que a sequela deixada pela covid-19 compromete suas atividades no esporte. “Na corrida, por exemplo, eu estou me cansando muito rápido e muito fácil. Minha respiração não está boa como antes. Tudo que envolve cárdio está mais um pouco mais difícil do que antes”, lamenta.

Enquanto Thaíssa enfrenta problemas apenas em parte de sua rotina em função das sequelas, o jornalista Jorge Eduardo Antunes, de 51 anos, já teve de ser internado em função delas. “Na avaliação dos médicos, eu escapei da morte por um milagre. Porque a partir da covid-19, eu fui abrindo o caminho e portas para outras doenças”, conta.

Jorge Eduardo foi internado pela primeira vez em agosto, após contrair covid-19 em um almoço de trabalho. Inicialmente apresentou sintomas moderados, e manteve o tratamento à distância para evitar sobrecarregar o sistema de saúde. Mas ao longo das semanas, seu quadro se agravou e ele se viu obrigado a procurar ajuda hospitalar. Jorge foi internado no mesmo dia. Seu quadro continuou se agravando no hospital e ele foi levado à UTI. No dia 16 de agosto Jorge entrou em coma induzido, permanecendo assim por 21 dias.

Ao se ver livre da covid-19, Jorge Eduardo precisou lidar com novas doenças que contraiu em função da fragilidade de seu corpo durante a internação. “Os médicos tratavam uma coisa e já aparecia outra, tudo isso com um forte impacto sobre o corpo. Eu entrei na UTI com 88 quilos e saí com 70”, relata. A primeira internação de Jorge Eduardo seguiu até meados de outubro. Outras duas internações aconteceram desde então em função das sequelas deixadas pela covid-19 em seu corpo. Algumas podem levar anos para que possa tratar. “Na segunda vez que retornei à internação, foi porque comecei a apresentar crises convulsivas. Desde então estou tomando oito remédios novos para conseguir manter minha saúde adequada depois de ter tido covid-19. (…) Os médicos ainda vão levar dois, três anos para avaliar meu quadro com calma”, afirma.

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Problemas respiratórios são comuns

Os problemas respiratórios posteriores são a principal sequela deixada pela covid-19, é o que afirma o médico e presidente do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) Farid Buitrago. “As pessoas apresentam cansaço e queda na performance anterior à doença. Atletas, por exemplo, não conseguem alcançar o mesmo rendimento de antes”.

A dor de cabeça e fadiga também costumam se prolongar semanas além da recuperação. Mas os problemas mais graves são os neurológicos. “O coronavírus pode provocar doenças neurológicas graves, como a síndrome de Guillain-Barré, que provoca paralisia completa. Ele também tem sido associado a diversos problemas de pele, de coração e problemas renais”, alerta.

Buitrago explica que essas sequelas acontecem porque o coronavírus é capaz de comprometer qualquer órgão do corpo, desde os pulmões e o coração ao tecido cerebral. “Em qualquer um desses locais, podem ser deixadas sequelas”, afirma. Pacientes pertencentes aos grupos de risco são os mais propícios a sofrer com as sequelas, mas isso não significa que demais pacientes estejam livres do risco.

Farid destaca a importância de se manter os cuidados necessários para se evitar a contaminação: manter a higiene pessoal, utilizar máscaras e, sempre que possível, preservar o distanciamento social. Jorge Eduardo reforça o alerta do médico. “Quem está na balada dando as costas para a doença deveria lembrar que não vive sozinho na sociedade. (…) As pessoas deveriam olhar as outras pessoas com mais responsabilidade”, declara.

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