O paraibano Zé Ramalho volta a Brasilia, hoje, às 21h, no show de comemoração dos 24 anos de criação do Conjunto Cultural da Caixa. O menestrel traz para os fãs o espetáculo baseado em seu último trabalho, o 17º da carreira, Estação Brasil.
O compositor vive uma fase em que resgata algumas das grandes canções do gênero MPB. Depois de Antologia Acústica, de 1997, e Nação Nordestina, de 2000, Zé Ramalho resolveu reler clássicos de grandes artistas, como Villa-Lobos, Tom Jobim, Milton Nascimento e Gonzaguinha entre outros.
A releitura de clássicos, no caso de Zé Ramalho – ainda mais contando com os arranjos do excelente Robertinho do Recife – é sempre surpreendente. Senhor de um sotaque e interpretação altamente pessoais, o músico leva o ouvinte por caminhos nunca antes trilhados.
Ouvir o paraibano cantando Águas de Março, de Jobim, ou Caçador de Mim, de Milton Nascimento, remete a uma paisagem musical marcada pela nordestinidade e pelo tom messiânico, este provocado pelo vozeirão de Zé Ramalho.
A carreira do artista, que impressionou crítica e público já em seu primeiro trabalho com músicas como Avohai, Chão de Giz e Vila do Sossego, é uma das mais coerentes da MPB. Ainda que tenha em sua discografia algumas obras pouco inspiradas, é fato que o paraibano impõe suas raízes e verdades em tudo o que faz.