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Woody Allen mostra sua genialidade em <i>Scoop</i>

Arquivo Geral

16/03/2007 0h00

Woody Allen é um diretor cuja genialidade se evidencia em argumentos simples, como este de Scoop – O Grande Furo, no qual remonta o cenário na Londres contemporânea, como fizera no trabalho anterior, o drama trágico Match Point – Ponto Final; mas que, agora, prefere o caminho do riso a desatar nós de uma trama genuinamente de mistério.

Em Scoop (do inglês, "furo") existe o thriller – um aristocrata suspeito de ser o Assassino do Tarô, que estrangula prostitutas de cabelos negros curtos –; e é acrescentado um  fator metafísico  – encarnado na figura do jornalista Joe Strombel (Ian McShane), recém-falecido, que vez ou outra foge do mundo dos mortos para entregar informações de pistas sobre o que pode vir a ser o maior furo da história do jornalismo inglês.

Na rede de intrigas, estão, por acaso, dois norte-americanos: a nova pupila de Allen, Scarlet Johansson (que dirigiu em Match Point e desempenha a formidável protagonista Sondra Pransky, cuja dubiedade é o maior trunfo da composição da personagem) e, de volta à cena, o próprio diretor, revestido de seu alter-ego prolixo e intensamente inseguro.

Ela, estudante de jornalismo apesar de nutrir paixão por higiene dental, passa as férias de verão na casa de uma amiga inglesa, para descolar entrevista com um cultuado cineasta. Não dá certo.

Ao participar de um show do mágico Sid Waterman "Splendini" (Allen), como cobaia de um de seus números, o espírito do finado Joe Strombel a encontra e revela que o ricaço Peter Lyman (Hugh Jackman), filho de um lorde britânico, é o Assassino do Tarô.

Determinada a coletar provas, ela convence o mágico a se passar por seu pai – essa relação é, no mínimo, hilária – para se aproximar de Lyman, um típico cavalheiro, por quem Sondra se apaixona e, obviamente, começa achar absurdo ligar os assassinatos ao gentleman inglês.

Scoop é um típico Woody Allen, que diverte, convida a alguma reflexão e ironiza as convenções do cinema clássico de mistério: se debruça em soluções simples, não se leva a sério e, ainda assim, promove certo êxtase em suas conclusões. O filme não é nenhum "grande furo" no cinema contemporâneo, mas e eqüilibra a filmografia de altos e nem tão altos assim do cineasta nova-iorquino.

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