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VLADIMIR 70 ANOS

Arquivo Geral

18/04/2005 0h00

Há 35 anos, ele trocou o interior do Nordeste pela capital federal e Brasília tornou-se a principal temática de sua obra cinematográfica. Os 20 filmes já produzidos pelo cineasta Vladimir Carvalho serão exibidos na mostra Vladimir 70, que celebra os 70 anos do nordestino-brasiliense, completados em 31 de janeiro deste ano. De amanhã a domingo, todos os filmes do diretor serão exibidos em duas sessões diárias, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

A mostra tem como objetivo apresentar uma retrospectiva de toda a obra do cineasta Vladimir Carvalho, dos seus cinco longas-metragens e dos 15 curtas. Além disso, será lançado um catálogo que analisa a importância do documentarista no cenário cinematográfico nacional, com textos de Amir Labaki, Carlos Mattos, Orlando Senna, João Luiz Vieira, entre outros. As fotos do catálogo são do irmão do cineasta, Walter Carvalho. “Estou absolutamente gratificado. Uma homenagem incrível. É uma prestação de contas do que fiz, estou feliz com essa mostra”, disse Vladimir Carvalho, em entrevista ao Jornal de Brasília. O nome do evento é uma referência a um dos filmes dirigidos pelo cineasta em Brasília, Vestibular 70. Depois de Brasília, a mostra segue para o Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro.

O paraibano Vladimir completou 70 anos este ano, metade desse tempo dedicado ao cinema em Brasília. “Há regiões no País em que as pessoas vivem pouco. Eu venho de uma região em que a expectativa de vida é de 40 anos. Quando você chega aos 70, sente-se realizado”, diz. O nordestino adotou a cidade e, segundo ele, foi muito bem recebido por ela. “Elegi Brasília como o foco do meu trabalho, utilizei a cidade como temática para meus filmes”. O cineasta é referência quando se fala do cinema produzido na capital federal.

Programação A mostra, que começa amanhã e vai até domingo, terá, de amanhã a sexta, sessões às 18h30 e 20h, e sábado e domingo também às 16h30. O filme de abertura do evento é Vladimir Carvalho, Conterrâneo Velho de Guerra (2004), da documentarista Dácia Ibiapina. O documentário conta a história da vida e obra do cineasta, sua relação com a história do Brasil, com o cinema e o documentário brasileiro. O filme traz o depoimento de pessoas como Ariano Suassuna, Sílvio Tendler, Orlando Senna, Walter Carvalho, Roberto Faria, Marcos Mendes, Sérgio Moriconi e Nelson Pereira dos Santos.

Amanhã, após a exibição dos curtas Romeiros da Guia, o primeiro dirigido pelo cineasta, A Bolandeira, Incelência para um Trem de Ferro, A Pedra da Riqueza e Pankararu, produzidos ainda no Nordeste, Vladimir Carvalho participa de um debate com o público, ao lado dos cineastas Sérgio Moriconi, também curador da mostra, e Manfredo Caldas.

Os dez curtas produzidos na capital federal serão divididos em dois programas: Cinema Brasiliense Programa I e II. A exibição dos cinco longas do diretor começa por O País de São Saruê (1971), que mostra a luta do nordestino contra a seca, até chegar em Barra 68, Sem Perder a Ternura (2000), que mostra as repressões sofridas pela Universidade de Brasília durante o regime militar.

De todos os filmes que produziu, Barra 68 foi o que despertou no cineasta um sentimento afetivo diferente. “O meu encontro final com Darcy Ribeiro foi marcante. Gravamos com ele uma longa entrevista, em que contou a vida toda. Depois, fomos entrevistar as pessoas presas na universidade. Tive que me segurar emocionalmente várias vezes”, lembra.

Outro trabalho marcante é Conterrâneos Velhos de Guerra (1990), que demorou 19 anos para ser finalizado. Vladimir fez outros filmes nesse período e foi juntando material durante muito tempo para concluí-lo.

Evolução Desde que começou a trabalhar com cinema, a produção brasileira evoluiu muito, na opinião de Vladimir. Para o cineasta, a produção atual é tecnicamente impecável e chega a competir em festivais internacionais de igual para igual. Ele destaca a importância do apoio do governo e de empresas, além do fato de os brasileiros estarem descobrindo o cinema nacional. “Mas ainda falta mercado interno, desenvolver não só a produção como a distribuição e exibição. A luta continua”, completa.

Atualmente, Vladimir trabalha no seu 21º filme, um perfil biográfico do escritor José Lins do Rêgo. O cineasta diz que tem a sensação de dever cumprido, mas que não se sente realizado. “Recomeço sempre, não estou em fim de carreira. Quero produzir mais filmes”, revela.

Carreira Vladimir Carvalho nasceu em Itabaiana, na Paraíba, e a carreira cinematográfica começou em 1961, quando produziu seu primeiro filme, Romeiros da Guia. Depois, mudou-se para a Bahia para estudar filosofia e participou da produção de um dos marcos do documentário brasileiro, o filme Cabra Marcado Para Morrer, de Eduardo Coutinho.

No final da década de 60, Vladimir mudou-se para o Rio de Janeiro e integrou a equipe do documentário Opinião Pública, de Arnaldo Jabor. Em 1970, veio para Brasília a convite do amigo Fernando Duarte, que dirigia o Departamento de Cinema da UnB e chamou Vladimir para montar, com ele, um núcleo de produção de documentários do Centro-Oeste. E foi na capital federal que o cineasta produziu a maioria de seus filmes. “Completei 70 anos, vim para Brasília nos anos 70, trabalho no meu 21º filme, que é múltiplo de sete, a diferença entre mim e meus três irmãos é de sete anos. Muitas coincidências para dar forças para minha carreira continuar”.

serviço

Vladimir 70 – Mostra retrospectiva em homenagem aos 70 anos do cineasta Vladimir Carvalho. De terça a sexta, às 18h30 e 20h30; sábado e domingo, também às 16h30, no Cinema do Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Sul, trecho 2). Ingressos a R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia).

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    VLADIMIR 70 ANOS

    Arquivo Geral

    18/04/2005 0h00

    Há 35 anos, ele trocou o interior do Nordeste pela capital federal e Brasília tornou-se a principal temática de sua obra cinematográfica. Os 20 filmes já produzidos pelo cineasta Vladimir Carvalho serão exibidos na mostra Vladimir 70, que celebra os 70 anos do nordestino-brasiliense, completados em 31 de janeiro deste ano. De amanhã a domingo, todos os filmes do diretor serão exibidos em duas sessões diárias, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

    A mostra tem como objetivo apresentar uma retrospectiva de toda a obra do cineasta Vladimir Carvalho, dos seus cinco longas-metragens e dos 15 curtas. Além disso, será lançado um catálogo que analisa a importância do documentarista no cenário cinematográfico nacional, com textos de Amir Labaki, Carlos Mattos, Orlando Senna, João Luiz Vieira, entre outros. As fotos do catálogo são do irmão do cineasta, Walter Carvalho. “Estou absolutamente gratificado. Uma homenagem incrível. É uma prestação de contas do que fiz, estou feliz com essa mostra”, disse Vladimir Carvalho, em entrevista ao Jornal de Brasília. O nome do evento é uma referência a um dos filmes dirigidos pelo cineasta em Brasília, Vestibular 70. Depois de Brasília, a mostra segue para o Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro.

    O paraibano Vladimir completou 70 anos este ano, metade desse tempo dedicado ao cinema em Brasília. “Há regiões no País em que as pessoas vivem pouco. Eu venho de uma região em que a expectativa de vida é de 40 anos. Quando você chega aos 70, sente-se realizado”, diz. O nordestino adotou a cidade e, segundo ele, foi muito bem recebido por ela. “Elegi Brasília como o foco do meu trabalho, utilizei a cidade como temática para meus filmes”. O cineasta é referência quando se fala do cinema produzido na capital federal.

    Programação A mostra, que começa amanhã e vai até domingo, terá, de amanhã a sexta, sessões às 18h30 e 20h, e sábado e domingo também às 16h30. O filme de abertura do evento é Vladimir Carvalho, Conterrâneo Velho de Guerra (2004), da documentarista Dácia Ibiapina. O documentário conta a história da vida e obra do cineasta, sua relação com a história do Brasil, com o cinema e o documentário brasileiro. O filme traz o depoimento de pessoas como Ariano Suassuna, Sílvio Tendler, Orlando Senna, Walter Carvalho, Roberto Faria, Marcos Mendes, Sérgio Moriconi e Nelson Pereira dos Santos.

    Amanhã, após a exibição dos curtas Romeiros da Guia, o primeiro dirigido pelo cineasta, A Bolandeira, Incelência para um Trem de Ferro, A Pedra da Riqueza e Pankararu, produzidos ainda no Nordeste, Vladimir Carvalho participa de um debate com o público, ao lado dos cineastas Sérgio Moriconi, também curador da mostra, e Manfredo Caldas.

    Os dez curtas produzidos na capital federal serão divididos em dois programas: Cinema Brasiliense Programa I e II. A exibição dos cinco longas do diretor começa por O País de São Saruê (1971), que mostra a luta do nordestino contra a seca, até chegar em Barra 68, Sem Perder a Ternura (2000), que mostra as repressões sofridas pela Universidade de Brasília durante o regime militar.

    De todos os filmes que produziu, Barra 68 foi o que despertou no cineasta um sentimento afetivo diferente. “O meu encontro final com Darcy Ribeiro foi marcante. Gravamos com ele uma longa entrevista, em que contou a vida toda. Depois, fomos entrevistar as pessoas presas na universidade. Tive que me segurar emocionalmente várias vezes”, lembra.

    Outro trabalho marcante é Conterrâneos Velhos de Guerra (1990), que demorou 19 anos para ser finalizado. Vladimir fez outros filmes nesse período e foi juntando material durante muito tempo para concluí-lo.

    Evolução Desde que começou a trabalhar com cinema, a produção brasileira evoluiu muito, na opinião de Vladimir. Para o cineasta, a produção atual é tecnicamente impecável e chega a competir em festivais internacionais de igual para igual. Ele destaca a importância do apoio do governo e de empresas, além do fato de os brasileiros estarem descobrindo o cinema nacional. “Mas ainda falta mercado interno, desenvolver não só a produção como a distribuição e exibição. A luta continua”, completa.

    Atualmente, Vladimir trabalha no seu 21º filme, um perfil biográfico do escritor José Lins do Rêgo. O cineasta diz que tem a sensação de dever cumprido, mas que não se sente realizado. “Recomeço sempre, não estou em fim de carreira. Quero produzir mais filmes”, revela.

    Carreira Vladimir Carvalho nasceu em Itabaiana, na Paraíba, e a carreira cinematográfica começou em 1961, quando produziu seu primeiro filme, Romeiros da Guia. Depois, mudou-se para a Bahia para estudar filosofia e participou da produção de um dos marcos do documentário brasileiro, o filme Cabra Marcado Para Morrer, de Eduardo Coutinho.

    No final da década de 60, Vladimir mudou-se para o Rio de Janeiro e integrou a equipe do documentário Opinião Pública, de Arnaldo Jabor. Em 1970, veio para Brasília a convite do amigo Fernando Duarte, que dirigia o Departamento de Cinema da UnB e chamou Vladimir para montar, com ele, um núcleo de produção de documentários do Centro-Oeste. E foi na capital federal que o cineasta produziu a maioria de seus filmes. “Completei 70 anos, vim para Brasília nos anos 70, trabalho no meu 21º filme, que é múltiplo de sete, a diferença entre mim e meus três irmãos é de sete anos. Muitas coincidências para dar forças para minha carreira continuar”.

    serviço

    Vladimir 70 – Mostra retrospectiva em homenagem aos 70 anos do cineasta Vladimir Carvalho. De terça a sexta, às 18h30 e 20h30; sábado e domingo, também às 16h30, no Cinema do Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Sul, trecho 2). Ingressos a R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia).

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