As crianças acham que as notícias sobre violência são a coisa mais perturbadora nas telas, segundo pesquisa encomendada pela Comissão Independente de TV, pela Comissão de Padrões de Rádio e TV, pelo Departamento de Classificação de Filmes da Grã-Bretanha e pela BBC. As crianças puderam facilmente dizer se a violência era real ou não e mostraram ter sofrido “impacto de pouca permanência” da violência que elas sabiam ser ficção, segundo o estudo.
Reportagens sobre grandes eventos violentos, como os ataques de 11 de setembro de 2001 nos EUA, têm grande efeito sobre elas, de acordo com a pesquisa. As agências reguladoras de TV e a BBC entrevistaram crianças entre 9 e 13 anos para descobrir como elas absorvem cenas violentas.
O estudo diz que as crianças aceitam violência em filmes de TV e desenho animado muito mais facilmente, porque sabem que é inventada. Poucas notícias têm impacto, porque muitas crianças acham que a maioria delas é “entediante”.
Mas grandes notícias, como os ataques de 11 de setembro e a guerra no Iraque, chamam a atenção. Esses eventos fizeram as crianças se sentirem “ameaçadas” e “pessoalmente vulneráveis”, segundo o relatório. “Isso pode levar a ansiedades genuínas e a mudanças de comportamento”, disse o estudo.
A garotada fica mais preocupada com cenas que envolvam pessoas da mesma idade ou que morem perto de onde moram, enquanto outras, mais remotas, têm impacto menor. Diferentemente dos adultos, as crianças não precisam ver atos de violência e estão mais preocupadas com as suas conseqüências, segundo o estudo. A pesquisa demonstrou que os resultados representam “um desafio real para o rádio e a TV”. A Comissão Independente de Televisão disse que os responsáveis pelas notícias no rádio e na TV terão de avaliar a possibilidade de emitir alertas sobre reportagens potencialmente perturbadoras.
O professor David Morrison, do Instituto de Estudos de Comunicação da Universidade de Leeds, disse que os eventos de 11 de setembro de 2001 são “descritos pelas crianças, de forma quase unânime, como as imagens mais violentas que elas já viram na TV”.
“As crianças da pesquisa viam um alto grau de violência nas notícias, enquanto os adultos, em um estudo anterior, consideraram que havia pouca violência”, afirmou. “O que é real pode se tornar real para as crianças”, disse.