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Videoarte da América Latina ganha livro e sai do anonimato

Arquivo Geral

30/09/2008 0h00

Falar de videoarte está na moda no circuito da arte, o que explica o fato de o recente livro Vídeo en Latinoamérica. Una historia crítica, da pesquisadora espanhola Laura Baigorri, ser um grande trunfo para saber sobre esta tendência artística bastante desconhecida na região.

A obra afirma que os videoartistas latino-americanos sempre existiram e divulga seus trabalhos, disse Baigorri em entrevista à Agência Efe.

Com ensaios de especialistas em videoarte de primeira linha de todos os países da América Latina, incluindo o Caribe, o livro foi dirigido por Baigorri com o desejo de que “se rompa essa dinâmica” de desconhecimento.

A América Latina “esteve em guetos de exotismo”, disse a pesquisadora, e é “muito importante que esta história do vídeo latino-americano seja conhecida pelos anglo-saxões” também.

Sobretudo “agora, que a videoarte está na moda” e “se incorporou por pleno direito ao contexto institucional e ao mercado da arte” e conseguiu a “legitimação como mais um meio de criação na arte contemporânea”, destacou a professora da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Barcelona.

Em videoarte, a América Latina evoluiu de forma diversa. A experimentação com o vídeo em algumas nações é de “40 anos” e em outros, de 10. Há países onde essa forma de reprodução de imagens tem muita presença, como “na Argentina e no Brasil e, em terceiro lugar, no México”.

Isto influenciou até na elaboração deste livro, já que, para estas nações, foram dedicados dois capítulos ou ensaios, ao contrário do resto – aos quais foram dados apenas um.

O início e a evolução da “videoarte” em cada um dos países dependeram, segundo ela, do fato de “as pessoas terem começado a viajar e a emigrar e terem importado muitas coisas”. Um exemplo disso, é que “na Argentina, a aparição do vídeo é paralela aos EUA”.

Com relação ao estado da “videocriação” na atualidade, Baigorri disse que se emociona com certos “videocriadores” que não podem ser classificados por países, “mas por autores concretos”, pois há videoartistas “jovens que estão trabalhando muito bem”.

Estes jovens apresentam um ar de inteligência e novidade, afirmou Baigorri, que citou como exemplo os equatorianos Valeria Andrade e Pedro Cagigal, os cubanos Luis García e Javier Castro e a guatemalteca Regina José Galindo.

Por outro lado, em matéria de formação acadêmica, “a maioria dos vídeoartistas de todos os países é autodidata”, já que a “videoarte” exige “intuição” e “depende de uma capacidade intelectual e criativa e da capacidade para poder transmitir essas idéias, a capacidade de experimentação”.

Hoje em dia, “há muitos jovens produtores de vídeo”, pois a ferramenta de base é “ter acesso a uma câmera”. No entanto, Baigorri afirmou que já “estão sendo dadas oficinas de vídeo com celulares”, como a oferecida pelo artista contemporâneo Fernando Llanos no México.

Além disso, o vídeo conta agora com a vantagem de um “efeito de globalização ineludível no mundo e no qual estamos todos compartilhando uma cultura midiática”, embora depois “estejam as particularidades de cada país”.

A internet também facilitou o trabalho para os “videoartistas”, já que “a partir da rede é possível acessar muitas informações e colocar lá os seus vídeos”, apesar das dificuldades particulares de conexão de cada região.

Por isso que, antes de tudo, a chave é que no vídeo “a idéia seja potente”; “quando há algo excepcional é que o respira, é inevitável; o talento se reconhece”, disse ela, que inaugurará uma mostra itinerante de videoarte da América Latina e do Caribe em janeiro de 2009, no México.

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