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VERDADE nua e crua

Arquivo Geral

18/12/2003 0h00

A verdade por meio da dança. A A.S.Q. Companhia de Dança apresenta, de hoje a domingo, no Teatro da Caixa, Aletheia, o sétimo espetáculo da companhia brasiliense, que existe há 14 anos.

Cada espetáculo da companhia é baseado em uma pesquisa de linguagem que é desenvolvida a partir de cada temática. Aletheia, que do grego significa verdade, desnudo, surgiu de um texto de filosofia que fala da questão do homem em busca da verdade.

A partir daí, toda a equipe teve contato com textos sobre o assunto, como O Espelho, de Guimarães Rosa, e O Espelho – Esboço de uma nova teoria da alma humana, de Machado de Assis, para discussão. “São textos que falam sobre a identidade do ser humano. Na frente do espelho, ele vê a verdade e faz análises”, afirma Luciana Lara, diretora e coreógrafa do espetáculo.

De acordo com Luciana, o conto de Guimarães Rosa foi a base, pois questiona se a imagem vista no espelho é só a verdade. “Interpretamos de acordo com os nossos conceitos, nossa cultura, com o que a sociedade está buscando. As pessoas querem se adequar a esses padrões”, afirma.

O espetáculo é uma viagem introspectiva que trata do drama de uma pessoa tentando se adequar às exigências da sociedade. No palco, durante pouco mais de uma hora, as bailarinas Ana Vaz e Lívia Frazão envolvem o público com os movimentos.

A trilha sonora é tocada ao vivo pelo músico Paulucci Araújo. Na primeira parte, ele toca didjeridu, um instrumento de sopro. Depois faz um canto de garganta. Além disso, utiliza outros instrumentos que imitam a voz da montanha. “É uma música bem experimental, não é comum ao ouvido, cria um clima tenso. A trilha sonora foi feita especialmente para Aletheia. É como se fosse o sentimento e a sensação das bailarinas”, diz Luciana.

A coreógrafa classifica o espetáculo como sendo de dança e teatro. As bailarinas utilizam a expressão facial e há quase uma narrativa por trás do que elas estão fazendo. “Os movimentos não são no espaço, são no próprio corpo da bailarina”, conta Luciana.

Aletheia estréia em Brasília, mas o grupo pretende viajar o Brasil levando a música e a verdade. “É uma expectativa interessante, a gente não sabe como vai ser o retorno do público. É um espetáculo que faz pensar, permite muitas leituras, pois tem muitas metáforas”, conclui a diretora.

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    18/12/2003 0h00

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    Cada espetáculo da companhia é baseado em uma pesquisa de linguagem que é desenvolvida a partir de cada temática. Aletheia, que do grego significa verdade, desnudo, surgiu de um texto de filosofia que fala da questão do homem em busca da verdade.

    A partir daí, toda a equipe teve contato com textos sobre o assunto, como O Espelho, de Guimarães Rosa, e O Espelho – Esboço de uma nova teoria da alma humana, de Machado de Assis, para discussão. “São textos que falam sobre a identidade do ser humano. Na frente do espelho, ele vê a verdade e faz análises”, afirma Luciana Lara, diretora e coreógrafa do espetáculo.

    De acordo com Luciana, o conto de Guimarães Rosa foi a base, pois questiona se a imagem vista no espelho é só a verdade. “Interpretamos de acordo com os nossos conceitos, nossa cultura, com o que a sociedade está buscando. As pessoas querem se adequar a esses padrões”, afirma.

    O espetáculo é uma viagem introspectiva que trata do drama de uma pessoa tentando se adequar às exigências da sociedade. No palco, durante pouco mais de uma hora, as bailarinas Ana Vaz e Lívia Frazão envolvem o público com os movimentos.

    A trilha sonora é tocada ao vivo pelo músico Paulucci Araújo. Na primeira parte, ele toca didjeridu, um instrumento de sopro. Depois faz um canto de garganta. Além disso, utiliza outros instrumentos que imitam a voz da montanha. “É uma música bem experimental, não é comum ao ouvido, cria um clima tenso. A trilha sonora foi feita especialmente para Aletheia. É como se fosse o sentimento e a sensação das bailarinas”, diz Luciana.

    A coreógrafa classifica o espetáculo como sendo de dança e teatro. As bailarinas utilizam a expressão facial e há quase uma narrativa por trás do que elas estão fazendo. “Os movimentos não são no espaço, são no próprio corpo da bailarina”, conta Luciana.

    Aletheia estréia em Brasília, mas o grupo pretende viajar o Brasil levando a música e a verdade. “É uma expectativa interessante, a gente não sabe como vai ser o retorno do público. É um espetáculo que faz pensar, permite muitas leituras, pois tem muitas metáforas”, conclui a diretora.

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