Dizem que o melhor Carnaval do Brasil é no Rio de Janeiro. Mas este ano os brasilienses poderão conferir se a afirmação é verdadeira sem sair da cidade. A Velha Guarda da Mocidade Independente de Padre Miguel faz shows gratuitos nestas quarta e quinta-feiras no Teatro da Caixa.
O mestre de cerimônias Neuzo Sebastião, conhecido como Tiãozinho da Mocidade, adianta como serão as apresentações aqui em Brasília. “Nós vamos tocar e cantar mais ou menos 22 músicas, incluindo os sambas-enredo campeões”.
Músicas como Cartão de Identidade, Sonhar Não Custa Nada e Coração de Pedra fazem parte do repertório e serão relembradas nos palcos. A intenção é transformar o Teatro da Caixa numa versão candanga da Sapucaí. “As pessoas podem esperar principalmente alegria do show”, assegura Tiãozinho. “E além da música também haverá informações sobre a história do samba e da nossa escola”, completa o veterano.
As apresentações incluem ainda uma verdadeira aula sobre o gênero musical. A Velha Guarda irá explicar o que é samba de terreiro, samba de quadra e samba de avenida. “Também mostraremos as diferenças entre a percussão da Mocidade com a de outras escolas de samba como Portela e Mangueira”, conta Tiãozinho.
O mestre de cerimônias enaltece a presença de Quirino Lopes que atualmente tem 87 anos e continua tocando cuíca. “Ele foi um dos inventores da paradinha”, relembra. Além de Quirino, os demais experientes mostrarão seus talentos com outros instrumentos típicos do samba: cavaquinho, bandolim, surdo, violão, flauta e percussão.
Participação especial
Serão aproximadamente duas horas de show e, além da Velha Guarda, a Mocidade do Gama fará uma participação especial na apresentação de amanhã para mostrar que a capital do País também entende de samba. “Vamos encerrar o show com o nosso samba-enredo deste ano, Anápolis – do sonho à realidade, 100 anos de história, saudade e modernidade”, conta Paulo Roberto Silva, presidente e fundador da escola.
“A Mocidade Independente é madrinha do Gama, usamos até as mesmas cores”, confessa Paulo. Com o tema que irá homenagear o centenário de Anápolis, a escola aposta na experiência de Sylvio Cunha, carnavalesco que saiu do Rio de Janeiro para trabalhar em Brasília. “Fechamos um contrato de três anos com o Sylvio Cunha. Ele tem experiência em grandes escolas como Estácio de Sá e Portela”, orgulha-se o presidente da Mocidade do Gama. A escola de Brasília será a primeira a se apresentar no Carnaval deste ano, no dia 5 de fevereiro, terça-feira.
História
A Mocidade Independente de Padre Miguel foi formada há 40 anos e começou como um time de futebol chamado Independente Futebol Clube. Do grupo surgiu um bloco de Carnaval que foi crescendo até se tornar uma escola de samba no dia 1° de novembro de 1955.
O reconhecimento da Mocidade aconteceu três anos mais tarde, quando a escola de samba subiu para o grupo especial com o enredo Apoteose ao Samba. E continua até hoje no disputado grupo, onde compete anualmente com outras escolas tradicionais como Beija Flor de Nilópolis e Unidos do Viradouro.
A Mocidade é pentacampeã e levou o título nos anos de 1979, 1985, 1990, 1991 e 1996. Este ano concorre com o samba-enredo O Quinto Império: De Portugal ao Brasil, uma Utopia na História.
Para 2008 a Velha Guarda da Mocidade planeja gravar um CD com o objetivo de contar a história do samba de raiz do Rio de Janeiro, ritmo que, desde o ano passado, foi tombado como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. “Nós somos da Velha Guarda, mas continuamos sendo Mocidade”, brinca Tiãozinho sobre a produtividade dos sambistas.
Compõem a Velha Guarda da Mocidade: Neuzo Sebastião de Amorim Tavares (cantor, compositor e mestre de cerimônias), Wandyr Trindade (cantor e presidente da velha guarda da Mocidade), Quirino Lopes (cuíca), Orlando Santos (cavaquinho), Felipe Silva Pinto (bandolim), Bibiano Santos (percussão geral), Djalma Nicolau (surdo), Márcio Ricardo da Silva (violão), Jorge Carlos Ribeiro da Silva Jr. e Júlio César Bahia de Lima (percussão), Luiz Fernando Sampaio Cardoso (percussão e cavaquinho), Márcio Carvalho de Oliveira (percussão geral), Luiz Carlos Santana Ferreira Júnior (violão e flauta), Regina Célia Erreira, Plínio da Costa Moreira, Jaci dos Santos, Maria José Vieira, Nice Maria Araújo (cantores).
Velha Guarda da Mocidade – Dias 9 e 10 de janeiro, quarta e quinta-feiras, às 20h no Teatro da Caixa Cultural (SBS Qd 4 lote 3/4, anexo do edifício Matriz da Caixa). Entrada franca mediante retirada do ingresso na bilheteria do teatro. Informações: 3206-6456.