Desde tempos muito antigos, ouvimos dos nossos pais e educadores da necessidade de impor limites em tudo. A gente cresce e verifica que, ou tem gente que é surda ou é mesmo o simples prazer de viver na contrariedade. Vejam só o que apareceu na tevê nessas últimas horas: a taxa Selic passou para 19,25% ao ano, consolidando a nossa liderança mundial. Foi o sétimo aumento consecutivo. Os entendidos da história e o Banco Central não sinalizam o fim do processo de alta, o que significa que ela vai continuar subindo. Aí vem o Boris Casoy, naquela sua viradinha de lado, em pleno Jornal da Record, anunciando que o nosso Severino Cavalcanti, muito empolgado com tudo, pode sair candidato à Presidência da República nas próximas eleições. E se isso não fosse o bastante, começam a surgir sinais do Morumbi, informando sobre as pretensões da Band em transformar o treinador aposentado, mas supervisor da seleção brasileira na ativa, Mario Jorge Lobo Zagallo, em apresentador de um novo reality show futebolístico. Vamos ter que engolir o homem. Como se observa, apenas com esses três modestos exemplos, verificamos que, para determinados casos e pessoas, os limites existem, se é que existem, para serem desafiados. Só não aconselho um cidadão comum qualquer a se meter a ser técnico de futebol, porque a classe dos treinadores não vai permitir. Será necessário, antes de qualquer coisa, a apresentação de um diploma.