Regionalizar. Este é o tipo de assunto que merece melhor análise por parte de todos, em busca de um futuro mais tranqüilo para a televisão do Brasil. Não há dúvida nenhuma de que, mantidas as mesmas condições de agora, a diferença entre a Rede Globo e todas as outras emissoras vai ficar ainda maior nos próximos tempos. Isso é inevitável. Não existe e nem é possível imaginar uma outra tendência. Ninguém aqui entende que essa regionalização será a panacéia de todos os males e nem deve acontecer por inteiro, acabando com tudo que foi feito até aqui. As emissoras devem continuar com um jornal nacional, com as suas grandes produções na dramaturgia e até os musicais, mas é necessário dar maior abertura e responsabilidade às suas praças. Ou alguém tem dúvida de que, num país como o nosso, há valores da economia, da cultura e do entretenimento que não estão sendo devidamente explorados por essas grandes redes? Hoje, a televisão do Brasil está concentrada no Rio e em São Paulo, esquecendo por completo a existência de tanto outros estados, que também são pólos importantes e que poderiam contribuir de forma decisiva para o surgimento de novos valores, tanto na música quanto no jornalismo, no humor e em inúmeros outros setores. É preciso valorizar o talento local, investir nisso e abrir esses caminhos. Podem ter certeza de que ainda existe um Brasil que não foi descoberto.