Cerca de 70% dos freqüentadores dos cinemas pagam meia-entrada. “A carteirinha perdeu o sentido. A meia-entrada não existe mais; ou você paga o preço normal ou o dobro dele”, reclama o empresário Luciano Barreto, de 28 anos. Muitos alegam que mesmo com a carteirinha o valor é alto.
E é exatamente isso que acontece. Na maioria dos cinemas, apenas estudantes e maiores de 65 anos têm o direito de pagar meia-entrada. Mas, hoje em dia, todo mundo dá um jeito de tirar uma carteira de estudante, que foi criada para que o estudante, que teoricamente não trabalha, possa pagar menos. “É a alternativa encontrada por muitas pessoas. Quando eu me formar não vou mais ao cinema, pagar R$ 15 é um absurdo”, prevê a universitária Maria Cecília Queiroz, 21.
As carteirinhas “clandestinas” são famosas entre aqueles que não estudam. Eles dão um jeito de arrumar uma, nem que seja preciso fazer um curso de inglês. Alguns “estudantes”, que não quiseram ser identificados, justificam a existência dessas carteirinhas com o preço é alto e tem gente que gosta muito e não vai deixar de ir.
O preço é reclamação de todos. O boicote pode não adiantar, mas provavelmente vai mobilizar os cinéfilos. O valor do ingresso chega a ser o mesmo cobrado para ir ao teatro, como no Centro Cultural Banco do Brasil (R$ 15) e na Sala Funarte (R$ 10). “Por que o cinema não faz como o teatro, que permite meia-entrada para quem doar um quilo de alimento não-perecível?”, propõe a empresária Jacqueline Bahiense.
Pipoca Além do alto preço das entradas de cinema, os clientes também reclamam do valor cobrado por um saco de pipoca e um copo de refrigerante. No Cinemark, por exemplo, o mega combo, que pode ser dividido por duas pessoas, custa R$ 11,25. Nos cinemas do Grupo Severiano Ribeiro o valor também é elevado. “É proibitivo. Nada justifica o preço exagerado”, reclama a publicitária Carla Sollberger, de 41 anos.
A universitária Maria Cecília Queiroz diz que a própria empresa de cinema faz uma “lavagem cerebral” no espectador. Ela explica que o Cinemark, por exemplo, antes do filme começar passa uma propaganda do cinema e conclui dizendo que “pipoca e refrigente também são parte do divertimento”. “Deveria haver um boicote para não comer pipoca. Eles não abaixam o preço pois as pessoas continuam comprando, não temos outra opção”, reclama.
Locadoras Outra alternativa para quem não tem a carteirinha de estudante é esperar que o filme chegue nas locadoras. “Me recuso a pagar o preço abusivo dos cinemas, é uma máfia”, afirma o recém-formado Henrique Araújo, de 23 anos, que prefere esperar três ou quatro meses para pegar em DVD.
Henrique lembra que há alguns anos ia ao cinema e comia pipoca com apenas R$ 10. Hoje, esse valor não paga nem metade dos gastos. “É um absurdo cobrarem esse preço. Vou participar do boicote. Todos têm que participar para ver se as empresas percebem que não estamos satisfeitos”, apela.
Quem gosta de ver filme acha mais em conta esperar chegar nas locadoras, pois o valor é menor que o da entrada do cinema e ainda tem como um grupo de pessoas assistir, o que reduz ainda mais o custo. “Só vou ao cinema quando é um filme que estou esperando muito para ver, caso contrário, aguardo a chegada em em DVD, sai mais em conta”, diz o empresário Luciano Barreto.