Mal aceita pela platéia hispânica nos Estados Unidos, a novela Vale Tudo, de Gilberto Braga, vem alavancando a audiência do canal pago GNT de Portugal. Trata-se de uma reprise da produção original, de 1988, que já tinha ido ao ar naquele país pela TV aberta. Tratam-se de dois públicos com perfil conservador, embora novela brasileira em Portugal sempre tenha sido receita fácil de sucesso. Já no México, tramas do Brasil sempre enfrentaram resistência: quando exibidos, vão ao ar no fim de noite, pelo teor considerado muito liberal.
Nos EUA, onde a maioria dos hispânicos é mexicana – e tem adoração extra pela figura materna –, as maldades de Maria de Fátima Acioli (Glória Pires) contra a própria mãe, Raquel Acioli (Regina Duarte), foram rejeitadas.
A Vale Tudo da Telemundo (Vale Todo) foi uma co-produção com a Globo, feita especialmente para esse mercado, com elenco de língua espanhola. A dose de cinismo até foi reduzida, mas não adiantou. “Eu nunca teria escolhido Vale Tudo para um mercado conservador”, observa Gilberto Braga, autor da atual Celebridade. “Disse isso na Globo, mas ninguém me deu ouvidos. Vale Tudo é uma novela cheia de cinismo.”
Em Portugal, o cinismo atrai audiência, como aconteceu aqui, quando o país parou para acompanhar o capítulo em que a vilã Odete Roitman (Beatriz Segall) é assassinada e transformou em chiste a pergunta “quem matou Odete Roitman?.