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Uma visão diferente do terror no filme <i>Possuídos</i>

Arquivo Geral

24/08/2007 0h00

Construir um mundo ficcional ao modo e semelhança da realidade e alcançar dessa maneira um adendo de veracidade é uma ambição que move a maioria dos cineastas. Os grandes diretores, porém, nunca deixam de lançar um olhar cético sobre o que chamamos de real e, assim, ampliam os limites da percepção.

No caso do veterano William Friedkin, essa tendência se amplifica por sua capacidade de colocar personagens no lugar de vítimas de suas próprias crenças. Basta lembrar dois grandes títulos do diretor, O Exorcista (1973) e Parceiros da Noite (1980), em que o mal era o princípio condutor para ele abordar sua obsessão pela autodissolução.

Possuídos marca seu retorno à grande forma com um filme de baixo orçamento, feito à margem da indústria, mas que devolve ao cineasta um peso há muito confiscado. Uma interpretação simplista pode enxergar em Possuídos uma metáfora política centrada no medo e na paranóia vigentes nos Estados Unidos pós-11 de setembro. Essa primeira camada de significados, sem dúvida, está presente na história do casal que se crê atacado por insetos e se encerra num quarto de motel.

Simbolismos
O que torna esse trabalho de Friedkin tão valioso, porém, não se esgota em sua habilidade em explorar simbolismos. Como seus personagens machucam a própria pele na tentativa de se livrar dos incômodos invasores, o diretor também arranca essa primeira camada da superfície em busca de mais sentidos, não importa se reais ou imaginários.

O primeiro está em sabotar o nível primário da identificação, abolido para instaurar a ambigüidade completa entre vítima e algoz, entre bem e mal, construída a partir de índices incertos que levam o espectador a se perder na zona de segurança habitual.

Já o segundo é se aventurar a fazer no cinema, espaço em que se crê em tudo o que se vê, um relato estritamente mental, no qual o visível é substituído pela imaginação ou outras vezes pelo delírio. Já se sabe desde O Exorcista que, no cinema de Friedkin, o demônio ou qualquer espécie de mal não precisa se materializar para se tornar efetivo.

A idéia de posse imaterial culmina no longa Possuídos na forma de filme de amor fora do padrão. O parasitismo dos vermes reflete e acentua a paixão do casal protagonista, que se entrega um ao outro a ponto de nada mais lhes restar senão desejar o próprio fim.

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