Ela deixou toda uma vida para se juntar ao partido comunista soviético em busca de uma sociedade mais justa e marcou a história do Brasil e do mundo. Anos depois, despertou a curiosidade do escritor Fernando Morais, autor de uma biografia sobre ela, e agora chega às telonas. O filme Olga, de Jayme Monjardim, tem estréia nacional hoje e vai emocionar o País com a judia alemã, naturalizada brasileira, que viveu um romance com o líder comunista Luís Carlos Prestes.
Mas não vá ao cinema achando que verá um filme de guerilhas, com ênfase nos fatos históricos. Por trás da dureza de Olga Benário, o amor falar mais alto. Ela se envolve com o cara que deveria proteger e tem, com ele, uma filha, a pequena Anita. O caráter de líder revolucionário de Luis Carlos Prestes esconde o homem tímido, fechado e carinhoso que foi. “Essa contradição foi um dos grandes baratos de construir o personagem”, afirma o ator Caco Ciocler, que interpreta Prestes.
O diretor Jayme Monjardim se baseou no livro homônimo de Fernando Morais e optou por mostrar a Olga mulher: “Não saí da minha característica de contar história que é por meio da sensibilidade”. Foi assim que a atriz Camila Morgado, estreante no cinema, construiu a personagem. Em muitas cenas, ela teve que viver a Olga militante, mãe, mulher, apaixonada, judia, sofredora. “O objetivo do filme foi mostrar quem era essa grande mulher, e vejo que a gente conseguiu passar a mensagem”, acredita Camila.
A saga de Olga começa na Alemanha, passa pela Rússia, Espanha, França e chega ao Brasil. Apesar dos diferentes idiomas, o diretor e a roteirista Rita Buzzar optaram por fazer todos os diálogos em português. “Seria uma confusão de línguas, e o nosso objetivo foi fazer um filme popular. Um filme para o Brasil. Além de que quero mostrar o lado humano que ninguém nunca viu”, explica o diretor.
A história emociona. É um filme que não tem final feliz, mas que mesmo assim sabe entrar no coração dos espectadores e revelar a história de Olga. “Estávamos tensos com a opinião de Fernando (Morais) e Anita, e eles gostaram. Agora falta o público avaliar”, conclui Monjardim.