Olga é a história das emoções de homens que fizeram a história no Brasil, mas cujos feitos foram ofuscados pelas ditaduras de Getúlio Vargas e do Golpe de 64. Uma lição de vida, uma história de amor, e a realidade da intolerância política da época. Apesar de uma vida delineada pelos acontecimentos políticos, o filme acompanha os sentimentos de Olga: o amor, a solidão e a morte. Os fatos históricos são pano de fundo para a narrativa, mas não são protagonistas. “Tudo fica muito claro, mas não é um filme político. É para emocionar o público”, diz Monjardim.
Filha da judia Eugenie Gutmann Benario (Eliane Giardini) e do advogado Leo Benario (Luis Mello), Olga (Camila Morgado) ingressou na Juventude Comunista aos 15 anos, em Munique, na Alemanha. Chegou a invadir a prisão de Moabit para resgatar o professor comunista Otto Braun (Guilherme Weber). Em 1928, os dois foram mandados pelo partido para a União Soviética.
Em Moscou, recebeu treinamento militar do exército e foi indicada para a missão de escoltar líder comunista brasileiro Luís Carlos Prestes (Caco Ciocler), por quem acabou se apaixonando. “Não contamos a história de Prestes no Brasil, mas sim a trajetória de Olga, que em muitos momentos se cruza com a dele. Com certeza a vida do comunista daria um outro filme”, diz Monjardim. No Brasil, além da história de amor, eles se juntaram a outros membros e organizaram uma revolução comunista.
Olga foi vítima da intolerância do governo de Getúlio Vargas e dos horrores do nazismo de Adolf Hitler. Depois de ser presa e separada do marido, Prestes, foi deportada grávida de sete meses para a Alemanha. Sofreu humilhações, mas nunca perdeu a dignidade.
A filha Anita nasceu na prisão e as duas se viram pela última vez quando a menina tinha apenas um ano e dois meses. “Foi a cena mais difícil de fazer. Naquele momento eu estava com uma criança no colo e tinha que fazer a Olga militante, judia, mulher, apaixonada, comunista e mãe”, lembra a atriz Camila Morgado, que estréia nos cinemas como a protagonista. Olga morreu numa câmara de gás de um campo de extermínio, aos 33 anos, em Bernburg.
Além de Olga, outra mulher se destaca nesta história. Dona Leocádia (Fernanda Montenegro), mãe de Prestes, não mediu esforços para empreender uma campanha internacional para livrar o filho da prisão e evitar que a criança fosse para um orfanato alemão. Anita foi criada pela avó e hoje vive no Rio de Janeiro, com 67 anos.