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Um novo homem

Arquivo Geral

28/03/2004 0h00

Caio Blat vem observando as mulheres na TV e nas páginas das revistas com outro olhar, desde que começou a viver o maquiador Abelardo em Da Cor do Pecado. “Hoje, reparo quem erra no tom da sombra ou não sabe combiná-la com o gloss. Boa maquiagem valoriza a expressão”, ensina o ator. Ele conta até que treinou em casa algumas das excêntricas invenções do personagem. “Abelardo não suporta maquiagem corretiva, gosta da decorativa. Só que no meio daquela família bagunçada, é ele quem usa cabelo penteado. Ele quer ser moderno, mas está sempre com um pezinho na breguice dos Sardinha”, diverte-se Caio.

Ao contrário do personagem, o interesse por blush e brilhos labiais não faz de Caio um metrossexual – expressão da moda, usada pelo ator para definir Abelardo, que junta as palavras metropolitano e heterossexual. “Metrossexual é o homem hetero que tem comportamento de homossexual. Abelardo é homem, do jeito dele, e não se dá ao luxo de sair se explicando”, diz o ator, que gostaria de manter a desconfiança dos Sardinha sobre a sexualidade do maquiador. “Ele só deve arrumar namorada no fim da novela. Os irmãos já encontraram bilhetinhos e camisinhas nas coisas dele. Esse preconceito é ultrapassado.”

Hoje, os tempos são outros. Até machos mais ortodoxos estão assumindo certos cuidados com a estampa. Para gravar, Caio faz escova e usa maquiagem. Fora da TV, ele lida de maneira tranqüila com a vaidade. “Se é para fazer estilo bagunçado com o cabelo, é para ficar milimetricamente desfeito. Só não chego a fazer unha”, limita Caio, que pensa o que vai vestir. “Gosto de ter meu estilo, usar roupa combinando, com bom caimento, e uma sandália legal”, completa o ator.

Com seu jeitão sossegado, Caio desfaz rótulos. “Deve ser horrível o ator ficar marcado por um tipo, não fugir dele mesmo. Consegui ser versátil. Fui mocinho romântico, sedutor, vilão e o esquisito da casa”, lista. “Se Abelardo fosse gay, seria simples. Ele tem afetação, pose e tenho que ficar atento a cada cena.”

Movido a trabalho, Caio discorre com o mesmo entusiasmo sobre o personagem da TV, seu grupo teatral em São Paulo e os planos de encenar Os Irmãos Karamazov, de Dostoiévski. “Não sou ator cabeça nem galã. Caí para o lado dramático, denso e agora descobri que faço comédia.”

Caio se diz impulsivo e apaixonado – “Minha mãe fica de cabelo em pé, diz que sempre quero dar o passo maior que a perna” – e preza a liberdade. “Tenho dois lados. O independente, que gosta de ensaiar a peça a noite toda. O outro sabe que tem a mulher que ama em casa cuidando do neném”, conta, referindo-se à mulher, Ana Ariel, e ao filho adotivo, Antônio, de um ano, que moram num sítio em Campinas. “Não sou de saudade. Quando estou fora, não fico remoendo. Mas lá é meu porto seguro, tem cheiro de cafezinho de casa. Eu me alimento muito dessa vida dupla.”

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    28/03/2004 0h00

    Caio Blat vem observando as mulheres na TV e nas páginas das revistas com outro olhar, desde que começou a viver o maquiador Abelardo em Da Cor do Pecado. “Hoje, reparo quem erra no tom da sombra ou não sabe combiná-la com o gloss. Boa maquiagem valoriza a expressão”, ensina o ator. Ele conta até que treinou em casa algumas das excêntricas invenções do personagem. “Abelardo não suporta maquiagem corretiva, gosta da decorativa. Só que no meio daquela família bagunçada, é ele quem usa cabelo penteado. Ele quer ser moderno, mas está sempre com um pezinho na breguice dos Sardinha”, diverte-se Caio.

    Ao contrário do personagem, o interesse por blush e brilhos labiais não faz de Caio um metrossexual – expressão da moda, usada pelo ator para definir Abelardo, que junta as palavras metropolitano e heterossexual. “Metrossexual é o homem hetero que tem comportamento de homossexual. Abelardo é homem, do jeito dele, e não se dá ao luxo de sair se explicando”, diz o ator, que gostaria de manter a desconfiança dos Sardinha sobre a sexualidade do maquiador. “Ele só deve arrumar namorada no fim da novela. Os irmãos já encontraram bilhetinhos e camisinhas nas coisas dele. Esse preconceito é ultrapassado.”

    Hoje, os tempos são outros. Até machos mais ortodoxos estão assumindo certos cuidados com a estampa. Para gravar, Caio faz escova e usa maquiagem. Fora da TV, ele lida de maneira tranqüila com a vaidade. “Se é para fazer estilo bagunçado com o cabelo, é para ficar milimetricamente desfeito. Só não chego a fazer unha”, limita Caio, que pensa o que vai vestir. “Gosto de ter meu estilo, usar roupa combinando, com bom caimento, e uma sandália legal”, completa o ator.

    Com seu jeitão sossegado, Caio desfaz rótulos. “Deve ser horrível o ator ficar marcado por um tipo, não fugir dele mesmo. Consegui ser versátil. Fui mocinho romântico, sedutor, vilão e o esquisito da casa”, lista. “Se Abelardo fosse gay, seria simples. Ele tem afetação, pose e tenho que ficar atento a cada cena.”

    Movido a trabalho, Caio discorre com o mesmo entusiasmo sobre o personagem da TV, seu grupo teatral em São Paulo e os planos de encenar Os Irmãos Karamazov, de Dostoiévski. “Não sou ator cabeça nem galã. Caí para o lado dramático, denso e agora descobri que faço comédia.”

    Caio se diz impulsivo e apaixonado – “Minha mãe fica de cabelo em pé, diz que sempre quero dar o passo maior que a perna” – e preza a liberdade. “Tenho dois lados. O independente, que gosta de ensaiar a peça a noite toda. O outro sabe que tem a mulher que ama em casa cuidando do neném”, conta, referindo-se à mulher, Ana Ariel, e ao filho adotivo, Antônio, de um ano, que moram num sítio em Campinas. “Não sou de saudade. Quando estou fora, não fico remoendo. Mas lá é meu porto seguro, tem cheiro de cafezinho de casa. Eu me alimento muito dessa vida dupla.”

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