Marcella Oliveira
O cinema é marcado por diferentes estilos e gêneros. Muitos deles surgiram há muitos anos e ainda influenciam trabalhos recentes. É o que ocorre com o expressionismo. Com o objetivo de resgatar esse movimento cinematográfico que surgiu na década de 20, o Centro Cultural Banco do Brasil apresenta a mostra Expressionismo Revisitado. Serão exibidos 14 filmes, de hoje ao dia 8 de maio, em três sessões diárias, que trarão à tona características como contrastes fortes e personagens conturbados. Os ingressos custam R$ 4 (inteira).
De acordo com o curador da mostra, o jornalista e cineasta Gustavo Galvão, o movimento ainda é muito pouco estudado no Brasil e não é valorizado pelos circuitos nacionais. No cinema brasiliense, segundo ele, o expressionismo não ganha espaço há pelo menos cinco anos. “Queremos formar novas platéias”, destaca. “É uma oportunidade para as pessoas que não tiveram acesso a esses filmes do passado e também para os cineastas e admiradores do cinema reverem trabalhos brilhantes”.
A programação conta com 14 filmes, que vão desde clássicos do expressionismo alemão da década de 20 – como A Última Gargalhada (1924), de Friedrich Wilhelm Murnau, e O Gabinete do Dr. Caligari (1920), de Robert Wiene – a produções mais recentes como Nina (2004), de Heitor Dhalia, e A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999), de Tim Burton.
básicoSegundo o curador, a seleção foi feita para mostrar que existiu um movimento na década de 20 e que a partir dos anos 40 ele se espalhou pelo mundo, desenvolveu-se e amadureceu. “A partir dos filmes clássicos eu tentei mostrar ao público o básico do cinema expressionista”, conta. “A proposta é identificar as relações estéticas entre o movimento expressionista e alguns filmes mais recentes”.
Entre os antigos, um dos destaques é Segredos de Uma Alma (1926), de George Wilhelm Pabst, que foi o primeiro filme psicanalítico e contou com dois assistentes de Sigmund Freud na produção. Dos recentes, Repulsa ao Sexo (1965), de Roman Polanski, incorpora características do terror; e Cidade dos Sonhos (2001), de David Lynch, traz uma fotografia densa e muito contrastada, além de personagens oprimidos.
O movimento expressionista surgiu no início do século passado, na Europa, na área das artes plásticas, como forma de romper com o naturalismo e demonstrar uma visão do mundo do próprio artista. É considerado muito abrangente, com tendências selvagens, pinturas extravagantes e de cores fortes.
A partir de 1919, o movimento expressionista redefiniu o cinema. Os filmes passaram a ter planos tortos, cenários sombrios, personagens conturbados, tramas com ênfase no lado psicológico, contrastes fortes, atmosfera densa e sensação de desequilíbrio. “É um movimento importante e muito amplo, que reúne obras de inestimável valor cultural”, ressalta Gustavo Galvão.
Para o curador, ao contrário do surrealismo, que foi um movimento que ficou fechado, o expressionismo se ampliou e evoluiu com o tempo, surgindo em filmes novos, como Spider, Cidade dos Sonhos e Nina. “Trabalhos recentes não são definidos como expressionistas, mas têm muitas afinidades com aqueles filmes”, explica.
Antes de vir para Brasília, a mostra esteve em cartaz no CCBB do Rio de Janeiro e foi sucesso de público. “Fiquei extremamente orgulhoso porque era um público muito jovem. Espero repetir isso em Brasília, formar uma platéia crítica. Fazer com que as pessoas relacionem a estética dos filmes”, diz Gustavo Galvão. Depois de Brasília, o Expressionismo Revisitado segue para São Paulo.