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Um furacão chamado Paula Lima

Arquivo Geral

09/04/2005 0h00

Não existe uma barreira do tempo para a música de Paula Lima. Compositora e intérprete de voz vigorosa (seria única, não fosse precedida pelo furacão chamado Elza Soares), Paula faz uma ponte entre o que foi a black music dos anos 70 e o que Sandra de Sá batizou atualmente de Música Preta Brasileira. E, se Sandra é a rainha do movimento que renova as forças dos cabelos sarará-crioulos, Paula é a princesa. E provou isso na quinta-feira, no show de abertura do projeto Identidade Brasileira, do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

O repertório poderia ser impecável. Não o foi pelo enxugamento de quatro canções previstas (Que Beleza, de Tim Maia; Mangueira, de Seu Jorge; e o pot-pourri jobiniano Água de Beber / Só Tinha de ser com Você). De outro lado, Paula não poupou reverências aos mestres Jorges: o Seu e o Benjor. Abriu com Gafieira S/A e emendou com Quero Ver Você no Baile, ambas de Seu Jorge. Em seguida, costurou o set list com o samba esquema novo dos tempos de Jorge Ben, com A Tamba, Meu Guarda-chuva e o clássico Que Maravilha.

A força da interpretação de Paula Lima foi amparada por uma banda indefectível. A começar pela dupla de performers da percussão – sensação à parte do show –, formada por Guto Bocão e Beto Repinique. Ao final, ganharam aplausos tão eufóricos como os rendidos à estrela do show. O conjunto de apoio dispensou guitarras e violões e contou com a bateria de Samuel Fraga, o baixo de Eduardo Oliveira e os teclados robotizados de Rogério Rochlitz, responsável pelos riffs eletrônicos. Foi suficiente.

Paula ainda apresenta duas sessões da performance, hoje e amanhã, no teatro do CCBB. O local, com cadeiras enumeradas e lugar para 290 pessoas, ficou miúdo para o som poderoso da cantora. Ela não poupou esforços para levar a casa abaixo, num verdadeiro baile black setentista (para quem não viveu a época, basta lembrar do filme Cidade de Deus). Sim, essa era a idéia. Foi uma pena que o público só tenha respondido ao anseio de Paula Lima no bis: todos de pé, com as mãos para o alto (a pedido da cantora) a fazer o coro de Olhos Coloridos (de Macau, eternizada por Sandra de Sá).

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    Arquivo Geral

    09/04/2005 0h00

    Não existe uma barreira do tempo para a música de Paula Lima. Compositora e intérprete de voz vigorosa (seria única, não fosse precedida pelo furacão chamado Elza Soares), Paula faz uma ponte entre o que foi a black music dos anos 70 e o que Sandra de Sá batizou atualmente de Música Preta Brasileira. E, se Sandra é a rainha do movimento que renova as forças dos cabelos sarará-crioulos, Paula é a princesa. E provou isso na quinta-feira, no show de abertura do projeto Identidade Brasileira, do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

    O repertório poderia ser impecável. Não o foi pelo enxugamento de quatro canções previstas (Que Beleza, de Tim Maia; Mangueira, de Seu Jorge; e o pot-pourri jobiniano Água de Beber / Só Tinha de ser com Você). De outro lado, Paula não poupou reverências aos mestres Jorges: o Seu e o Benjor. Abriu com Gafieira S/A e emendou com Quero Ver Você no Baile, ambas de Seu Jorge. Em seguida, costurou o set list com o samba esquema novo dos tempos de Jorge Ben, com A Tamba, Meu Guarda-chuva e o clássico Que Maravilha.

    A força da interpretação de Paula Lima foi amparada por uma banda indefectível. A começar pela dupla de performers da percussão – sensação à parte do show –, formada por Guto Bocão e Beto Repinique. Ao final, ganharam aplausos tão eufóricos como os rendidos à estrela do show. O conjunto de apoio dispensou guitarras e violões e contou com a bateria de Samuel Fraga, o baixo de Eduardo Oliveira e os teclados robotizados de Rogério Rochlitz, responsável pelos riffs eletrônicos. Foi suficiente.

    Paula ainda apresenta duas sessões da performance, hoje e amanhã, no teatro do CCBB. O local, com cadeiras enumeradas e lugar para 290 pessoas, ficou miúdo para o som poderoso da cantora. Ela não poupou esforços para levar a casa abaixo, num verdadeiro baile black setentista (para quem não viveu a época, basta lembrar do filme Cidade de Deus). Sim, essa era a idéia. Foi uma pena que o público só tenha respondido ao anseio de Paula Lima no bis: todos de pé, com as mãos para o alto (a pedido da cantora) a fazer o coro de Olhos Coloridos (de Macau, eternizada por Sandra de Sá).

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