Estréia o último filme do cineasta-bombeiro Afonso Brazza. E, desta vez, é de verdade. Cotado para figurar entre a seleção de filmes das últimas três edições do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Fuga Sem Destino ficou inacabado, porém, com boa parte das filmagens concluída, com a morte do diretor em julho de 2003, em decorrência de um câncer no esôfago. O longa-metragem está pronto e chega aos olhos do espectador na tarde de hoje, às 17h, no Cine Brasília, como parte da Mostra Brasília.
Auto-intitulado "pior cineasta do mundo", Afonso Brazza representa a resistência de um cinema realizado "na raça e na coragem", a partir de material reciclado (latas de filmes de 35 milímetros), além do apoio de amigos e a colaboração de entusiastas (inclusive financeira) de seu cinema trash. A película foi finalizada pelo cineasta Pedro Lacerda, detentor dos direitos do bombeiro do Gama; com recursos da Secretaria de Cultura e do ator Selton Mello, co-produtor e padrinho do filme.
Em Fuga Sem Destino, Brazza, mais uma vez, protagoniza a fita. Agora ele é Trovão, pistoleiro aposentado que recebe proposta para resgatar alguns prisioneiros na Papuda. Dr. Barão, o todo-poderoso chefe de uma gangue, a troco de muito dinheiro, convence Trovão a aceitar mais esse desafio. Para complicar, manda seqüestrar a irmã da juíza responsável pela condenação de oito de seus comparsas. A fuga se dá em clima de muita tensão, violência, pancadaria e gargalhadas. Para comemorar a soltura dos presos e desfazer o estresse, Dr. Barão manda oferecer uma festa e contrata o famoso Rei do Forró, Frank Aguiar.
Logo acontece uma confusão generalizada. Dr. Barão manda acabar com a festa e ordena um de seus homens a pagar o empresário do cantor, mas o capanga entende que era para "apagar" e o mata.
Histórico
Piauiense, filho de fazendeiros, migrante nordestino e morador da região administrativa do Gama, José Afonso dos Santos Filho deixou o Distrito Federal aos 12 anos. Era o ano de 1969. Com o dinheiro acumulado da venda de picolés, Brazza se vestiu com uma roupa social e burlou a vigilância, chegando de ônibus à antiga rodoviária paulistana.
Conheceu José Mojica Marins, o eterno Zé do Caixão, que o iniciou no metiê cinematográfico. Aprendeu os processos da realização de filmes na Boca do Lixo, reduto paulistano de cinema, onde conheceu Claudette Jobert, musa de seus filmes e esposa.
Paranaense, Claudette trabalhou como modelo e atuou em comerciais de tevê. Iniciou-se no cinema ao lado de Vera Fischer em Sinal Vermelho, as Fêmeas (1972), de Fauzi Mansur, e atuou em outros 23 filmes produzidos na Boca.
Brazza trouxe a futura esposa de volta ao Gama, tornou-se bombeiro e, ao mesmo tempo, praticou sua arte cinematográfica – trash, porém, cult. De 1982 até sua morte, fez oito filmes: O Matador de Escravos (82), Os Navarros (85), Santhion Nunca Morre (91), Inferno no Gama (93), Gringo Não Perdoa, Mata (95), No Eixo da Morte (97) e Tortura Selvagem – A Grade (2001).