O terceiro – e último – dia do festival “El mapa de todos” recebeu um público diferente nesse sábado (29). Mas já era de se esperar. Diversos estilos musicais se distribuíram entre as cinco bandas que tocaram. Do rock ao tango. E o público não decepcionou.
Quem abriu a noite foi a paulista Instiga, outra vencedora da votação que aconteceu na internet, junto com a banda Facas Voadores, que tocou na sexta (28). Pouco prestigiada, a banda Instiga é um trio formado por Christian, Pedro e Gabriel. Eles fazem um bom som, mas não empolgaram muito. O vazio do foyer teve contribuição para tornar a apresentação morna.
A segunda banda foi a argentina “La quimera del tango”. O grupo, formado por três bons violonistas e um bom vocalista, encheu o auditório do Espaço Brasil Telecom. Os quatro foram bastante aplaudidos pelo público, que clamava por silêncio a cada prenúncio de conversa. O ponto fraco da apresentação foi o clima blasé que se instalou dentro do teatro. Mas isso não afetou o show, que teve seu auge quando o grupo tocou uma música com um serrote. O público saiu surpreso com o show.
Minutos depois, a chilena Javiera Mena subiu ao palco do foyer. Acompanhada por um baixo, dois notebooks e um teclado, a carismática cantora desfilou seu pop para um público que já enchia o foyer. Apesar de pouco conhecida no Brasil (mas chamada de “amazona pop global” pelo jornal argentino “Clarín”), algumas pessoas cantavam o pop latino junto com Javiera.
Depois do show, ela demonstrou satisfação. “É minha primeira vez no Brasil, fui muito bem recebida, gostei muito do pessoal”, disse Javiera. Fã de Xuxa (“eu vivia cantando ‘Arco-Íris’ quando pequena”), a chilena acredita que a diferença de idiomas não é uma barreira entre os países ibero-americanos. “Eu vivia cantando músicas em inglês sem saber o que diziam, então acho que o importante é a música”, afirmou.
Quarta atração da noite, a banda espanhola Sr. Chinarro começou o show com o auditório cheio. Em mais de 15 anos de existência, esta foi a primeira vez de Antonio Luque e banda no Brasil. Com uma voz grave e claras influências de Depeche Mode e The Cure, o Sr. Chinarro fez o melhor show internacional da noite.
Mas apenas as guitarras se encontravam no palco. Apesar do bom show, os integrantes da banda não mantiveram comunicação durante a apresentação. Não trocavam olhares, não conversavam. No fim do show, antes mesmo de Luque agradecer, os músicos deixaram os instrumentos no palco e saíram.
A grande atração da noite era a banda Mundo Livro S/A. Como os dois últimos shows da noite (Sr. Chinarro e Mundo Livre) estavam marcados para o mesmo palco, o público teve de esperar para que o palco da banda brasileira fosse montado.
Os pernambucanos, liderados pelo vocalista Fred Zero Quatro, formam um dos maiores representantes do manguebit do Brasil. Para fazer um som diversificado, vários instrumentos são usados durante o show, como cavaco, guitarra, teclado e samplers.
O festival
Organizado pela produtora Senhor F, em parceria com o Espaço Brasil Telecom, o “El mapa de todos” mostrou que é possível unir forças. Bandas famosas em seus países (a argentina Babasónicos é considerada a mais importante do país) eram pouco conhecidas por aqui. O público brasiliense se surpreendeu com a seleção, que trouxe ótimas bandas.
Uma das boas revelações foi a banda Facas Voadoras (MS), que conquistou uma das vagas por votação na internet. A peruana Turbopótamos surpreendeu o público com seu agitado “ska-billy”.
Outro ponto positivo foi a diversidade de estilos musicais. Teve MPB, tango, rock, pop. La quimera del tango, Sr. Chinarro, Javiera Mena. Todos demonstraram satisfação em tocar no festival, que atraiu um bom público nos três dias.