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Tratado de uma revolução juvenil

Arquivo Geral

23/07/2003 0h00

Francis Scott Fitzgerald (1896-1940), conhecido mundialmente pelo texto de O Grande Gatsby (1925) – sucesso no cinema em 1926 e 1949 e série de TV nos EUA em 2001, mas cujo maior êxito se deu em 1974, com Robert Redford e Mia Farrow, sob direção de Jack Clayton e roteiro de Francis Ford Coppola – é um ícone da crônica social norte-americana. E seu primeiro e antológico trabalho, Este Lado do Paraíso (1920), que chega agora ao mercado brasileiro pela editora Cosac & Naify, com tradução de Carlos Eugênio Marcondes de Moura, foi uma estréia retumbante que implodiu os alicerces da conservadora sociedade nova-iorquina, à época, ditando regras de “desvios comportamentais” e “abrindo” as cabeças dos jovens na segunda década do século passado.

Para entender como este livro provocou um verdadeiro frisson no mercado editorial dos anos 20, vendendo quase 50 mil exemplares em seis meses – número mais que expressivo para os padrões da época – é preciso saber como ele foi idealizado. Na terceira edição de Este Lado do Paraíso, Fitzgerald publicou uma nota contando que levou três meses pare escrevê-lo, três minutos para concebê-lo e, “para reunir os dados nele utilizados, toda a minha vida”. Em maio de 1920, o autor tinha 24 anos.

Toda a vida de Scott Fitzgerald nada mais era que uma bem vivida juventude: um bom emprego como redator publicitário, várias noitadas de jazz regadas a muito álcool com os amigos e uma paixão avassaladora por Zelda Zayre – filha de um juiz da Suprema Corte. Segundo Scott, um autor deve escrever para a sua geração. E foi isso que ele fez, inclusive se colocando nua e cruamente no enredo de Este Lado do Paraíso.

Amory Blaine, o protagonista da história, o alter ego de Scott, é um desprovido de ordem moral com aspirações literárias, obcecado por prestígio social, egoísta, que estuda milimetricamente a estrutura da sociedade para alcançar seu objetivo: dominar o ambiente e figurar entre a elite de seu tempo.

A história se passa tendo a Universidade de Princeton (Nova York) como cenário. Blaine é fruto de um casamento aristocrático, hipócrita e decadente que desdenha da universidade, vai à Primeira Guerra Mundial, mantém um romance atribulado com Rosalind Connage e, por fim, afunda no alcoolismo.

Aos 24 anos, Francis Scott Fitzgerald vaticina seu futuro em sua obra mais polêmica. Rosalind é, segundo seus críticos, Zelda Zayre. Ele seria o próprio Blaine e, concluindo as coincidências, Fitzgerald virou alcoólatra e morreu assim, em 1940, na casa de sua segunda mulher, a colunista social Sheilah Graham. Zelda morreria oito anos depois de Scott, também vítima dos desencontros que formaram seu relacionamento em um incêndio no sanatório onde estava internada.

Este Lado do Paraíso traz gente viva para a ficção realista de Fitzgerald. À época de seu lançamento, os críticos consideraram essa obra como sendo o “tratado de uma revolução juvenil” que, sob bases hedonistas, apresentou ao grande público a nova geração que se formava nos EUA antes da quebra da Bolsa de Nova York, em 1929. Paris é Uma Festa, de Ernest Hemingway, seria uma espécie de continuação dessa história.

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    Para entender como este livro provocou um verdadeiro frisson no mercado editorial dos anos 20, vendendo quase 50 mil exemplares em seis meses – número mais que expressivo para os padrões da época – é preciso saber como ele foi idealizado. Na terceira edição de Este Lado do Paraíso, Fitzgerald publicou uma nota contando que levou três meses pare escrevê-lo, três minutos para concebê-lo e, “para reunir os dados nele utilizados, toda a minha vida”. Em maio de 1920, o autor tinha 24 anos.

    Toda a vida de Scott Fitzgerald nada mais era que uma bem vivida juventude: um bom emprego como redator publicitário, várias noitadas de jazz regadas a muito álcool com os amigos e uma paixão avassaladora por Zelda Zayre – filha de um juiz da Suprema Corte. Segundo Scott, um autor deve escrever para a sua geração. E foi isso que ele fez, inclusive se colocando nua e cruamente no enredo de Este Lado do Paraíso.

    Amory Blaine, o protagonista da história, o alter ego de Scott, é um desprovido de ordem moral com aspirações literárias, obcecado por prestígio social, egoísta, que estuda milimetricamente a estrutura da sociedade para alcançar seu objetivo: dominar o ambiente e figurar entre a elite de seu tempo.

    A história se passa tendo a Universidade de Princeton (Nova York) como cenário. Blaine é fruto de um casamento aristocrático, hipócrita e decadente que desdenha da universidade, vai à Primeira Guerra Mundial, mantém um romance atribulado com Rosalind Connage e, por fim, afunda no alcoolismo.

    Aos 24 anos, Francis Scott Fitzgerald vaticina seu futuro em sua obra mais polêmica. Rosalind é, segundo seus críticos, Zelda Zayre. Ele seria o próprio Blaine e, concluindo as coincidências, Fitzgerald virou alcoólatra e morreu assim, em 1940, na casa de sua segunda mulher, a colunista social Sheilah Graham. Zelda morreria oito anos depois de Scott, também vítima dos desencontros que formaram seu relacionamento em um incêndio no sanatório onde estava internada.

    Este Lado do Paraíso traz gente viva para a ficção realista de Fitzgerald. À época de seu lançamento, os críticos consideraram essa obra como sendo o “tratado de uma revolução juvenil” que, sob bases hedonistas, apresentou ao grande público a nova geração que se formava nos EUA antes da quebra da Bolsa de Nova York, em 1929. Paris é Uma Festa, de Ernest Hemingway, seria uma espécie de continuação dessa história.

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