A surpresa sempre foi fator da maior importância nas grandes batalhas. O mesmo se aplica às programações das nossas emissoras. Os riscos devem ser dimensionados, calculados em seus mínimos detalhes, porque qualquer descuido pode ser fatal. A Record anunciou ao mundo a estréia de Metamorphoses numa noite de domingo, entendendo que esta seria a melhor estratégia para confundir a concorrência. Os surpreendentes índices obtidos no horário, 11 de média e 17 de pico, segundo dados preliminares do Ibope, revelam que foi uma medida acertada. A emissora cumpriu a sua parte e da melhor maneira possível; cabe agora a própria novela se sustentar. É exatamente aí que a coisa pode se complicar. Considerando apenas o que foi mostrado na estréia, pode-se verificar que Metamorphoses tem uma abertura confusa, direção pesada e sem criatividade, edição e texto sonolentos. É preciso considerar que todo primeiro capítulo de uma novela é utilizado para dar uma panorâmica da trama. Isso não aconteceu plenamente. Na parte musical, Mazola é reconhecidamente um excelente produtor, mas ainda sem experiência na televisão. A trilha sonora não é a ideal. O áudio, muito alto, não esteve sempre sincronizado com a imagem e, às vezes, se conflitava com o diálogo dos personagens. Erros que, se corrigidos com necessária rapidez, podem não comprometer o futuro da história. Por outro lado, a imagem digitalizada é um passo à frente e o elenco, da melhor qualidade. O trabalho de todos deve crescer ao longo do caminho. Há uma linha muito tênue entre o sucesso e o fracasso de Metamorphoses. Depende unicamente das providências que serão tomadas a partir de agora.