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Tom Zé discute o pagode em opereta dedicada à mulher

Arquivo Geral

04/04/2005 0h00

De incompreendido Tom Zé passou a gênio ao ser redescoberto pelo ex-Talking Heads David Byrne com seu “atropelado” disco Estudando o Samba (1975). Isso fora na década de 80, quando Byrne garimpava um sebo paulistano e deu de cara com uma das, aparentementes, mais complexas obras do compositor baiano. Trinta anos após o brilhante álbum, Tom remonta sua música aos mesmos anos 70 e agrega valores do pop eletrônico e da criativa produção de Jairzinho ao novíssimo Estudando o Pagode – Na Opereta Segregamulher e Amor (Trama).

O novo discurso de Tom Zé é brilhante. Menos confuso do que os exageros de Tropicália e melhor definido na concepção da linha narrativa que acompanha os três atos da opereta. Tom Zé multiplica sua música e cria um álbum de samba, com requintes de uma epopéia urbana. As 16 faixas são orquestradas por cuícas, cavacos, pandeiros e violões e ganham um sabor pós-moderno com o abuso dos efeitos de mixagem.

Estudando o Pagode é um disco autoral de Tom Zé. Contudo, fica nas mãos dos que ele chama de “assessores teens”. A começar pelo produtor e arranjador Jair Oliveira, que encarna dois personagens da opereta e ainda empresta sua voz em diferentes tonalidades para compor os corais da peça musical. A lista de assessores inclui ainda Luciana Mello, Patrícia Marx, Zélia Duncan e Suzana Salles. Não obstante, está também Edson Cordeiro, em dueto com Tom na irreverente faixa – ou, melhor, cena – Elaleu, ou Parada Guei-LS.

O álbum, à priori, parte de um tema para uma narrativa aparentemente desconexa. O elo que unifica a obra como uma real opereta está na evolução da “tese” sobre o pagode e nas considerações sobre a mulher. No Primeiro Ato, Mulheres de Apenas, Tom Zé relata o processo de absolvição da mulher (é genérico mesmo). Enquanto isso, o pagode (nada que se assemelhe aos enlatados de Belo, Rodriguinho e companhia) é representado apenas por um pandeiro ao fundo, com vocais femininos que sintetizam o exagero de Tetê Espíndola (dos tempos de Sabor de Veneno) e o glamour de Carmem Miranda.

Tom Zé vai longe. Faz o segundo ato, Latifundiários do Prazer, com guitarras e polemiza: “O amor é um rock/ E a personalidade dele é um pagode”. O momento áureo do ato é Duas Opiniões, da cena Ridículo Chorar. Nele, a voz grave de Zélia Duncan contracena com a soprano Suzana Salles. Tom Zé aparece somente ao final, num breve recitativo. No último momento do álbum, Tom Zé passa seu recado. Aprimora seu discurso tanto poético como musical e valoriza a canção na pop Teatro (Dom Quixote), no samba A Volta do Trem das Onze, e na belíssima Beatles a Granel.

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    04/04/2005 0h00

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    O novo discurso de Tom Zé é brilhante. Menos confuso do que os exageros de Tropicália e melhor definido na concepção da linha narrativa que acompanha os três atos da opereta. Tom Zé multiplica sua música e cria um álbum de samba, com requintes de uma epopéia urbana. As 16 faixas são orquestradas por cuícas, cavacos, pandeiros e violões e ganham um sabor pós-moderno com o abuso dos efeitos de mixagem.

    Estudando o Pagode é um disco autoral de Tom Zé. Contudo, fica nas mãos dos que ele chama de “assessores teens”. A começar pelo produtor e arranjador Jair Oliveira, que encarna dois personagens da opereta e ainda empresta sua voz em diferentes tonalidades para compor os corais da peça musical. A lista de assessores inclui ainda Luciana Mello, Patrícia Marx, Zélia Duncan e Suzana Salles. Não obstante, está também Edson Cordeiro, em dueto com Tom na irreverente faixa – ou, melhor, cena – Elaleu, ou Parada Guei-LS.

    O álbum, à priori, parte de um tema para uma narrativa aparentemente desconexa. O elo que unifica a obra como uma real opereta está na evolução da “tese” sobre o pagode e nas considerações sobre a mulher. No Primeiro Ato, Mulheres de Apenas, Tom Zé relata o processo de absolvição da mulher (é genérico mesmo). Enquanto isso, o pagode (nada que se assemelhe aos enlatados de Belo, Rodriguinho e companhia) é representado apenas por um pandeiro ao fundo, com vocais femininos que sintetizam o exagero de Tetê Espíndola (dos tempos de Sabor de Veneno) e o glamour de Carmem Miranda.

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