João Carlos Assis Brasil acaba de colocar no mercado uma das melhores compilações da música internacional de todos os tempos. Em Todos os Pianos, que marca sua estréia na Biscoito Fino, cujo repertório foi gravado no estúdio da gravadora, no Rio de Janeiro, no fabuloso Steinway adqüirido junto à Filarmônica de Berlim, Assis Brasil celebra a boa música sem limites.
O pianista trata pérolas do chorinho, como Apanhei-te Cavaquinho (Ernesto Nazareth) ou sambas clássicos, como Manhã de Carnaval (Luiz Bonfá/Antonio Maria) e As Rosas Não Falam (Cartola), com a mesma maestria a que recorre para interpretar Noturno (Chopin), From This Moment On (Cole Porter) ou a Dança Húngara, de Brahms.
Todos os Pianos é um concerto primoroso, gravado por Rodrigo de Castro Lopes, ex-tecladista da Banda 69, de Brasília.
No repertório, destacam-se, ainda, obras-primas das trilhas de Nino Rota, como Noites de Cabiria; composições do irmão Victor Assis Brasil (Prelúdio em Sol Menor e Valsa do Reencontro), além de uma homenagem a Chiquinha Gonzaga na suíte Aracê/Aguará/Sabiá da Mata.
ImprovisoO lado jazzístico de João Carlos Assis Brasil é bastante conhecido. Mas em Jazz Brasil, álbum gravado em janeiro de 1986, na Sala Cecília Meirelles (RJ) e que saiu originalmente em LP pela Kuarup Discos, ele extrapola esse conceito, superando sua própria marca, ao lado de Wagner Tiso.
Nessa jam session de improviso e homenagem, Assis Brasil recria, em Sobre Tom, por cinco minutos e sete segundos, alguns dos maiores clássicos de Tom Jobim (Wave, Eu Preciso de Você, Estrada Branca, Moonlight Daiquiri, Eu Te Amo, Pela Luz dos Olhos Teus e Samba de Uma Nota Só).
Mas Jazz Brasil vai além. Em Chorava, de Wagner Tiso, João Carlos à esquerda das teclas do piano Steinway daquele teatro e o imstrumentista mineiro Tiso, à direita, promovem uma aula de jazz incomparável no cancioneiro nacional, superando, inclusive, as incursões de Wagner Tiso pelo mundo jazzístico em atuações semelhantes pelo Clube da Esquina.
Mas a maestria de João Carlos Assis Brasil não pára por aí. Ele vai além e reesecreve peças de Victor Assis Brasil e Radamés Gnattali – Maneirando em primeira passagem – como quem se diverte com um velho brinquedo.