A Disney segue a tradição de lançar filmes na linha dita familiar. O mais novo lançamento nos cinemas é a comédia Treinando o Papai, que estréia hoje, porém, apenas com cópias dubladas (o que restringe o perfil da película para o público infanto-juvenil).
A produção é estrelada pelo brutamontes Dwayne “The Rock” Johnson (O Escorpião Rei e Bem-vindo à Selva). Nas telas, o grandalhão interpreta Joe Kingman, um astro do futebol americano que leva uma vida luxuosa, sobre montantes de dinheiro numa cobertura chique. A vida da celebridade muda quando o jogador descobre que é pai de Peyton Kelly, uma garotinha de oito anos. A menina inesperadamente aparece na sua casa com planos de morar com ele por um mês, período em que a mãe realizaria um trabalho social na África.
A confusão começa quando Kingman percebe que não leva o menor jeito com crianças. A experiência o fará aprender que ser pai é uma atividade mais complicada do que marcar pontos durante um campeonato esportivo – algo como ocorreu com seu predecessor Arnold Schwarzenneger em Tira no Jardim de Infância ou com o contemporâneo Vin Diesel em Operação Babá.
A direção do filme fica por conta de Andy Fickman, responsável pela comédia Ela É o Cara. Apesar de não apresentar nenhuma novidade em relação ao roteiro, o filme agrada pelas cenas dramáticas e os valores sobre família que são reafirmados no decorrer da trama.
A comédia funciona principalmente nas situações inusitadas. A figura dos jogadores de futebol americano transmite agressividade, com roupas grandes e capacetes. Contudo, o que aparece no filme é o oposto. O protagonista acaba por demonstrar o lado sensível quando descobre a paternidade e passa a levar a filha para aulas de balé.
Com o auxílio da professora da menina, Roselyn Sanchez (Edison – Poder e Corrupção e Cruzeiro da Loucas), ele mudará a forma de ver o mundo. A idéia só não funciona melhor pela interpretação amarrada de The Rock. Quem preenche o cargo de vilão é Stella Peck (Kyra Sedgwick, de O Lenhador). Ela é a empresária de Joe Kingman e acredita que a presença repentina da filha do jogador pode ser ruim para sua imagem publicitária.
Quem for assistir a Treinando o Papai sabe o que se esperar. O filme segue a mesma tradição da Disney, com o tratamento politicamente correto do tema. O ponto negativo é a longa duração. São quase duas horas de projeção para pouca ação justificada.