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Tetê Espíndola lança novo trabalho em Brasília e revela a face de compositora

Arquivo Geral

11/12/2007 0h00

Quando ela canta, a gente sente que a natureza pára para reverenciar. Tetê Espíndola, que o grande público veio a conhecer por Escrito nas Estrelas, música vencedora do festival produzido pela Globo lançou em 1985, na verdade já estava na estrada muito tempo antes. Com um timbre raro de voz contralto-pra-lá-de-soprano, a nativa da bela Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul,  já atuava no circuito alternativo – e, nessa condição, numa era pré-internet, seu trabalho não tinha longo alcance. Pouco importa. Novidade saborosa mesmo é o fato de que ela incluiu Brasília na turnê de seu disco Eva por Ar, que apresenta ao abençoado público nestas terça e quarta-feiras.

Definir Tetê Espíndola é uma proposição instigante, quase insólita. Alguns o fizeram com a precisão de ourives. Arrigo Barnabé, amigo e parceiro, com quem ela compôs a valsa Londrina, premiada melhor arranjo do MPB Shell de 1981, várias vezes se referiu à cantora como “sertaneja lisérgica”. E o poeta concretista Augusto de Campos foi mais no alvo: disse que ela tem “pássaros na garganta”. O achado, claro, virou nome de um LP (naquela época, imaginar o mundo com CD era coisa do universo dos Jetsons).

“Quando eu aconteci no Festival da Globo já tinha uns dez anos de carreira”, lembra a cantora. “Foi o auge da mídia na minha vida – afinal, era uma TV Globo e a música tocou nas rádios três meses seguidos. Fisguei muitos fãs, que acabaram conhecendo outras músicas do meu repertório e da minha família”. Pois é, tem ainda este detalhe: Tetê é de uma família inteirinha musical. Pais, irmãos, o filho – Dani Black, já marcando presença na cena contemporânea – e agregados, todos, de uma forma ou de outra, têm na música sua artéria central. Foi nesse meio que ela cresceu.

Quem conhece mais de um trabalho de Tetê Espíndola – seus lançamentos vêm desde 1978 – talvez estranhe saber que sua estréia como compositora, é agora. Acontece que, brindada por uma agudeza de senso artístico que até hoje só a fez estabelecer parcerias muito bem-afinadas, Tetê passa a impressão de ser autora de tudo que gravou.

Atriz da voz
Ela é o tipo da cantora que, ao escolher uma determinada música, parece entrar em transe com suas linhas-mestras. E o resultado não dá outra: tudo vira filigrana. Foi assim com Escrito nas Estrelas e também com peças ecléticas como Sertaneja, Saia do meu Caminho (em dueto com Nelson Gonçalves), Garota Solitária (coisa rara gravada anos atrás por Angela Maria, e que Tetê pinçou para ousada releitura ao lado da irmã, Alzira Espíndola), Judiaria e muitas músicas mais.
“Eu me considero uma atriz da voz, me envolvo muito com a letra de cada música, e às vezes são só melodias que interpreto com emissões diferentes”, conta.

Gravado em Paris com a participação de Philippe Kadosch – mais um parceiro de boa lavra conquistado em sua trajetória –, trabalho e onde ela faz mais de cem vozes imitando sons de pássaros, baleias, golfinhos… Desconhece limites.

Outra característica distingue a atuação de Tetê Espíndola: a maioria das músicas que interpreta é profundamente ligada a temas humanos e, vira e mexe, flerta com a causa ambiental. Ano passado, ela desceu os rios Cuiabá e Paraguai, na Expedição Água dos Matos, e voltou cheia de inspiração. O passeio rendeu cinco novas músicas.

Ativista ambiental
“Eu canto a natureza há muito tempo, sempre alertando e falando sobre situações ambientais”, ilustra. “Participei da Eco 92 e, se naquela época o planeta já estava em perigo, imagine agora, depois de 15 anos! Eu acho que a humanidade tem que recuperar o sentimento de compaixão pelos próprios seres do planeta”. Parece vago?

Não para ela, que transforma a proposição numa única colherada de elixir: “Um pouquinho de respeito e menos ganância pelo poder”, ensina. A qualquer momento, revela, pode pintar alguma música cantada em guarani. “Acho que essa cultura está impregnada de canto de pássaros, e eles estão presentes nas minhas emissões de vozes”.

Por essa militância desprendida e bem-trabalhada, Tetê é, honorariamente, a melhor embaixadora que o Pantanal já pode ter tido. Ela usa sua elaborada arte para tocar essa missão desde os tempos em que ganhou de presente, dos pais, uma craviola – espécie de violão folclórico, cujas cordas têm ressonância especial. “Comecei a compor por causa das oitavas que ela me proporciona; e, é claro, com toda aquela paisagem exótica do Cerrado, do Pantanal e da Chapada dos Guimarães, quem não se inspira?”, resume. Simples assim.

Qualquer artista que tenha celebrado parceria com Tetê Espíndola sabe pelo menos de duas honrosas verdades. Primeiro, que tem talento suficiente para ser captado pelas antenas dela; segundo, que está abraçando uma causa de amplo espectro. Tetê é cidadã do mundo. Radicada em São Paulo, não deixou de garimpar as fontes de inspiração em seu habitat sul-matro-grossense. “O regional é a postura mais universal que existe”, ensina.

Eva por Ar –  Show de lançamento do CD de Tetê Espíndola. Terça-feira, às 21h, no Teatro dos Bancários (EQS 314/315). Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$25 (meia). Informações: 3346.9090. Quarta, às 21h, em noite de degustação de queijos e vinhos, no Maestro Gastronomia (SHTN trecho 1, lote 2, Lake Side Hotel). Ingressos: R$120, com bufê incluído. Informações: 3035-2397.

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