Desde o fim da Guerra Fria, escritores de livros de suspense vinham procurando um assunto substituto para sustentar suas tramas. O romancista Frederick Forsyth acredita que eles encontraram o novo tema no terrorismo global.
Em seu mais novo livro, The Afghan, o escritor de 67 anos descreve como um agente britânico busca se infiltrar no alto escalão da Al Qaeda, na tentativa de evitar um grande ataque terrorista.
Autor de clássicos do suspense político como O Dia do Chacal e O Dossi ê Odessa, Forsyth vê muitas semelhanças no conflito entre a União Soviética e o Ocidente e o fenômeno do extremismo islâmico.
"Uma grande diferença, é claro, é o fato de que o adversário na Guerra Fria era um país", observou. "Mas, tirando isso, temos o conceito de guerra não-declarada transformando-se numa guerra de inteligência, com operações de forças especiais, ações clandestinas, assassinatos dissimulados e interrogatórios secretos", disse ele à Reuters em sua casa nos arredores de Londres.
"Acredito que essa será a nova Guerra Fria. Ela terá corpos em vielas, pessoas se infiltrando em grupos terroristas, membros de grupos terroristas mudando de lado", disse o escritor.
De acordo com Forsyth, alguns escritores de suspense têm evitado tratar do terrorismo internacional, temendo que suas previsões se provem incorretas. Ele encontrou uma solução simples para contornar o problema: "se você descreve algo, como eu fiz, e isso não acontece, você pode dizer que isso ainda não aconteceu."