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Suspense <i>Marcas da Vida</i> reflete sobre <i>Big Brother</i>

Arquivo Geral

08/06/2007 0h00

Poucas estréias na direção de longas são tão acertadas como a da inglesa Andrea Arnold e seu Marcas da Vida, vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes, que estréia hoje nos cinemas.

Trata-se de um suspense ambientado no mundo atual, em que o pesadelo de câmeras que o escritor George Orwell criou em seu livro 1984 se tornou tão banal, que qualquer um pode ser o ditador de seu próprio mundo, tamanha a facilidade em observar a vida alheia.

É nesse contexto que se apresenta Jackie (Katie Dickie), uma operadora de câmeras de segurança que passa o dia enclausurada numa sala. Seu trabalho consiste em observar uma série de monitores ligados a câmeras espalhadas pela cidade escosesa de Glasgow.  O que essa mulher tanto olha não é tão simples quanto parece.

Cercada de aparatos, como teclados e joysticks, ela tem a possibilidade de aproximar cenas, editar e redefinir as imagens capturadas.  Essa intromissão dela, que parece ser inofensiva, mostra-se mais complexa, com interesses nada nobres. Muito além de fazer segurança, Jackie é o Big Brother de seu próprio mundo e, nesse conceito, é capaz de criar e aplicar suas próprias leis, fazer justiça com as próprias mãos.

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