Não que o cinema de ação exija uma trama complexa, ou um roteiro que prima pela reinvenção. Isso é trabalho para autores. E Doug Liman não é um deles. Ele é cineasta que assume com paixão uma câmera frenética, perseguições, explosões, tiroteios e pancadaria. O problema é que ele acostumou muito mal seu público ao “reinventar” nas telas a superprodução Identidade Bourne (arrancada do sufocante romance de Robert Ludlum). Em seguida, acertou a fórmula da diversão com Sr. e Sra. Smith e, assim, poucos artifícios restaram para Liman na sua nova empreitada, Jumper, a partir de hoje nos cinemas.
Assim, Jumper é pontuado de pequenas fórmulas que maquilam – sem sucesso – uma atmosfera de orginalidade em torno de uma tema que se propõe, talvez, a desconstruir a figura do super-herói. Não é esse o resultado. Afinal, querendo ou não (e por piores que sejam seus atos), o filme fala de um herói.
Este atende pelo nome de David Rice. Vem de uma famíla desestruturada (a mãe o abandonara quando dos seus cinco anos e o pai é controlador e violento). Na adolescência, David descobre seu poder. Foge de casa e, oito anos depois, aparece pela interpretação do pouco convincente Hayden Christensen (o Anakin Skywalker, de Star Wars) na pele de um jovem endinheirado (roubou imensas somas de vários bancos).
Ele é um jumpers – garotos dotados do poder de saltar em fendas espaciais e temporais com efeito de teletransporte – lembram, naturalmente, o simpático Hiro Nakamura, da série Heroes, de Tim Kring.
Aí surge o vilão da história – e, com ele, a chance de David Rice revelar-se o herói –, o misterioso agente negro de cabelos brancos Roland, interpretado por Samuel L. Jackson. Logo, o espectador o teme (por pena do mocinho). Afinal, este senhor de vestes futuristas e bastonete de eletrochoque na mão é o que se chama de paladino (aniquilador de jumpers).
A estrutura do filme reproduz refrescante trama de HQs, mas não demora a desbancar para o puro e simples jogo de gato e rato do cinema de ação. Roland tem toda uma organização secreta e máquinas ultramodernas para perseguir David. E o jovem herói conta apenas com o jumper esquisitão Griffin (Jamie Bell).
Entre outros contracensos da iniciativa do diretor Doug Liman está a figura imprescindível da mocinha da história. Personagem forçada, a garota é o amor de infância do protagonsita e só serve para se tornar o calcanhar-de-Aquiles do mocinho. Falta a Jumper aquela profundidade que o tornaria um thriller e prenderia o espectador na poltrona. Pelo menos diverte.