Quem foi criança durante a década de 1980, certamente se lembra de Transformers. Além dos desenhos animados (criados em 1984 e exibidos por aqui a partir de 87), seus bonequinhos também foram coqueluche naqueles tempos. Derivados da série original pipocaram na telinha, revistas em quadrinhos e nas prateleiras das lojas de brinquedos há cerca de 25 anos, fazendo com que o conceito veículo-que-se-vira-robô entrasse para a história da cultura pop.
Sabendo disso, o longa-metragem que estréia hoje em 23 salas de cinema de Brasília vem com mais que um gostinho de nostalgia. E o melhor de tudo: num momento em que a fórmula de filmes inspirados em histórias em quadrinhos ou séries de animação já mostra sinais de ferrugem, Transformers prova que o gênero ainda rende e confirma seu favoritismo como blockbuster da estação.
Na trama, Sam Witwicky (Shia LaBeouf) é um adolescente que só quer comprar seu primeiro carro e impressionar as garotas. Para isso, ele tenta vender pela internet objetos que pertenceram a seu tataravô, figura aventureira que, após explorar o Ártico, perdeu a sanidade.
Mal sabe Witwicky que os óculos de seu antepassado são a chave que irá desencadear uma guerra na Terra entre os Autobots e os Decepticons, robôs alienígenas em busca da All Spark, artefato enterrado em algum lugar do globo e capaz de dar vida a objetos inanimados.
Ao mesmo tempo, os militares e um departamento secreto dos EUA se envolvem na história, todos em busca de compreender e neutralizar a ameaça representada pelos Transfromers. Como se fosse pouco, Megatron, líder dos Decepticons retorna de anos de hibernação para eliminar os humanos e fazer do planeta o novo lar para sua raça.
Efeitos
Como o argumento do filme é simples, coube ao diretor Michael Bay (Pearl Harbor, Armageddon, A Ilha) “rechear” a trama e transformá-la em algo interessante, que cativasse o espectador.
Isso ele conseguiu ao investir em alguns aspectos da produção, a se destacar os efeitos especiais, as seqüências de ação de tirar o fôlego e os personagens carismáticos.
Transformers não teria a mesma graça se mostrasse apenas batalhas entre robôs gigantes. Mesmo os personagens com pouco tempo em cena – ou não tão importantes para a história – têm seus momentos de destaque, como o hilário hacker Glen Whitmann (Anthony Anderson) e o arrogante agente Simmons (John Turturro).
E não estranhe se Shia LaBeouf se tornar o próximo queridinho da América. O jovem ator tira de letra a responsabilidade como protagonista. Na pele de Sam Witwicky, ele consegue ser ao mesmo tempo o nerd desengonçado e o cara mais legal da turma.
Mais que máquinas programadas, os Transformers são criaturas vivas e cada uma também tem personalidade marcante: enquanto Optimus Prime é o líder corajoso, capaz de se sacrificar por seus ideais, Ironhide é o cabeça quente, sempre pronto para a briga. Já o leal Bumblebee é espirituoso.
Apesar de ser um filme com apelo para todas as idades, Transformers passa longe da abordagem infantilizada que caracteriza parte da produção do gênero. Carregado no humor e na ação é um “filme pipoca” da melhor safra.