A privacidade das células acabou. Um aparelho desenvolvido por pesquisadores da Escola Politécnica (Poli) da USP pretende desnudar in loco as relações químicas entre neurônio e seu meio. Trata-se de uma sonda nanométrica, cujo tamanho permite observar espaços tão reduzidos quanto alguns nanômetros (nm = 10-9 m), ou seja, um metro dividido por um trilhão de unidades.
“Uma das conseqüências desse estudo é abrir caminho para entender como se dá o processo de aprendizado”, explica Francisco Javier Ramirez Fernandez, professor da Poli responsável pela pesquisa. Um outro desdobramento, segundo o professor, é o desenvolvimento de ferramentas para captura personalizada de vírus e bactérias.
Fernandez conta que o custo dos principais processos para produção da sonda girou em torno de “algumas centenas de reais, enquanto que, no exterior, a inclusão de equipamentos avançados caracterizam uma infra-estrutura que não sai por menos de um milhão e meio de dólares. Improviso e muita criatividade explicam a redução dos custos”, explica.
Todas as etapas de desenvolvimento e construção da sonda nanométrica serão apresentadas por Fernandez, hoje, na 3ª Reunião Anual de Rede Cooperativa em Nanodispositivos Semicondutores e Materiais Estruturados, em Salvador.