Quem de nós não conheceu algum local que marcou época, abrigou histórias resistentes à ação do tempo e depois foi engolido pela pressão dos incorporadores imobiliários? Num país como o Brasil, qualquer cidadão rodado com mais de 20 anos de idade deve se lembrar de algum imóvel nessa situação.
Em Bar Esperança, filme em cartaz hoje na sessão Cine 21 da TV Brasília (22h30), cai por terra qualquer argumento que insinue romantismo barato nessa questão de preservação de patrimônio histórico. Com leveza arrebatadora e nuances de comédia, a história dirigida e estrelada por Hugo Carvana (que viveu o Lineu de Celebridade) convida o telespectador a refletir sobre a impermanência do mundo material em contraposição à perenidade dos valores cultivados a partir da base afetiva do homem – que ainda não é máquina total.
No elenco, Hugo é o intelectual Zeca, que atravessa caudalosa crise existencial em seu trabalho na televisão e é casado com Ana (Marília Pêra), atriz de uma novela de grande apelo popular. Os dois estão entre a turma de amigos que freqüentam, há anos, o Bar Esperança, localizado no legendário bairro de Ipanema, no Rio, e condenado à extinção por conta da pressão dos especuladores imobiliários.
A maior parte da ação se passa nesse bar, que reúne uma animada galera de artistas, jornalistas e profissionais liberais como assíduos freqüentadores. Entre uma e outra história paralela, o que eles vão fazer é lutar, até o último momento, para que o Esperança não feche as portas. Se eles vão ou não conseguir essa “gentileza”… Melhor assistir. Trata-se de uma bela história que, não sendo feita de concreto, não se encontra condenada a morrer.