Menu
Promoções

Sinfonia para Tom Jobim

Arquivo Geral

22/07/2003 0h00

O alemão Hans Joachim Koellreutter bem que tentou, mas não conseguiu vencer a resistência do adolescente Antônio Carlos Jobim para o aprendizado formal da música erudita. Ensinou noções de harmonia e contra-ponto clássicos durante um ano, mas não conseguiu convencer o aluno de que deveria abraçar o atonalismo. Ainda bem. Tom Jobim cresceu, tornou-se o compositor mais importante da música popular, mas manteve uma relação próxima com os eruditos.

O flerte de Tom Jobim com a música de concerto ganha, enfim, um documento sonoro na forma do CD duplo Jobim Sinfônico, resultado da gravação de um espetáculo apresentado em São Paulo, com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e participação de vários músicos populares e dos cantores Milton Nascimento e Maúcha Adnet. São 17 composições adaptadas para uma sinfônica a partir dos arranjos originais do próprio autor, Claus Ogerman, Eumir Deodato e Nelson Riddle, entre outros.

Algumas composições chamam a atenção imediatamente, caso da inédita Lenda, escrita em 1954, para o programa Quando os Maestros se Encontram, da Rádio Nacional, e de quatro movimentos da ópera Orfeu da Conceição, de 1956, primeira parceria do maestro com Vinícius de Moraes. Um dos movimentos, Macumba, acabou ficando de fora da versão final da obra e está sendo apresentada agora.

Orfeu da Conceição estreou no teatro em setembro de 1956 e foi um imenso sucesso, imediatamente virou filme, em produção francesa, e serviu para decidir qualquer partida sobre Jobim, ainda mais porque seria avalizada por Radamés Gnatalli, o ídolo do compositor. Algumas canções criadas para o musical ganharam roupa de gala, mas sem perder a espontaneidade que é a grande marca da sofisticada música de Jobim – Milton Nascimento canta Se Todos Fossem Iguais a Você e Maúcha Adnet, com arranjo de Nelson Riddle, canta A Felicidade.

Outra peça de encantar os fãs é a breve Prelúdio, que se mantinha inédita até agora, perdida entre os arquivos do pianista Evandro Rosa, que tinha sido homenageado com a música. Foi o próprio Rosa quem encontrou a partitura original e a cedeu para a realização do espetáculo que deu origem ao disco. Mesmo as obras que nasceram sinfônicas ganharam reforço, caso dos quatro movimentos de Crônica da Casa Assassinada, trilha sonora do filme homônimo de Paulo César Sarraceni, que é guarnecida de violas e contrabaixos, realçando o caráter harmônico que era um segredo de Jobim.

    Você também pode gostar

    Sinfonia para Tom Jobim

    Arquivo Geral

    22/07/2003 0h00

    O alemão Hans Joachim Koellreutter bem que tentou, mas não conseguiu vencer a resistência do adolescente Antônio Carlos Jobim para o aprendizado formal da música erudita. Ensinou noções de harmonia e contra-ponto clássicos durante um ano, mas não conseguiu convencer o aluno de que deveria abraçar o atonalismo. Ainda bem. Tom Jobim cresceu, tornou-se o compositor mais importante da música popular, mas manteve uma relação próxima com os eruditos.

    O flerte de Tom Jobim com a música de concerto ganha, enfim, um documento sonoro na forma do CD duplo Jobim Sinfônico, resultado da gravação de um espetáculo apresentado em São Paulo, com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e participação de vários músicos populares e dos cantores Milton Nascimento e Maúcha Adnet. São 17 composições adaptadas para uma sinfônica a partir dos arranjos originais do próprio autor, Claus Ogerman, Eumir Deodato e Nelson Riddle, entre outros.

    Algumas composições chamam a atenção imediatamente, caso da inédita Lenda, escrita em 1954, para o programa Quando os Maestros se Encontram, da Rádio Nacional, e de quatro movimentos da ópera Orfeu da Conceição, de 1956, primeira parceria do maestro com Vinícius de Moraes. Um dos movimentos, Macumba, acabou ficando de fora da versão final da obra e está sendo apresentada agora.

    Orfeu da Conceição estreou no teatro em setembro de 1956 e foi um imenso sucesso, imediatamente virou filme, em produção francesa, e serviu para decidir qualquer partida sobre Jobim, ainda mais porque seria avalizada por Radamés Gnatalli, o ídolo do compositor. Algumas canções criadas para o musical ganharam roupa de gala, mas sem perder a espontaneidade que é a grande marca da sofisticada música de Jobim – Milton Nascimento canta Se Todos Fossem Iguais a Você e Maúcha Adnet, com arranjo de Nelson Riddle, canta A Felicidade.

    Outra peça de encantar os fãs é a breve Prelúdio, que se mantinha inédita até agora, perdida entre os arquivos do pianista Evandro Rosa, que tinha sido homenageado com a música. Foi o próprio Rosa quem encontrou a partitura original e a cedeu para a realização do espetáculo que deu origem ao disco. Mesmo as obras que nasceram sinfônicas ganharam reforço, caso dos quatro movimentos de Crônica da Casa Assassinada, trilha sonora do filme homônimo de Paulo César Sarraceni, que é guarnecida de violas e contrabaixos, realçando o caráter harmônico que era um segredo de Jobim.

      Você também pode gostar

      Assine nossa newsletter e
      mantenha-se bem informado