Meninos entre oito e 12 anos têm engrossado o número de consultas oftalmológicas na esperança de, mediante prescrição médica, poder usar óculos iguaizinhos ao de Harry Potter. Uma semana depois de sua segunda aventura, Harry Potter e a Câmara Secreta, chegar às locadoras de vídeo, o bruxinho já está ditando moda. Mas, o que fazer se a criança não necessita de óculos? “Cerca de 15% das crianças necessitam de fato de alguma correção visual”, afirma Renato Neves, diretor da Eye Care Oftalmologia, de São Paulo. “Mas o problema são justamente as crianças que precisam usar óculos e não usam, porque acabam tendo déficit de aprendizado e desenvolvendo uma visão distorcida do mundo que as rodeia.” Os sintomas mais comuns de crianças que têm problemas visuais são queixas de dor de cabeça, sentar muito perto da TV, encolher os olhos na presença de luz, evitar leituras de longe (com medo de errar, por não ler direito) e recusar-se a brincar para não correr o risco de cair. “A criança deve passar por exame oftalmológico logo ao nascimento, devendo ser repetido aos 2, 4 e 6 anos de idade. É fundamental para que eventuais correções possam obter sucesso absoluto”, afirma Neves. Em contraposição, o médico desaconselha o uso de lentes sem grau, apenas pela vaidade: “É melhor não provocar distorções na visão da criança. Em vez de os pais sucumbirem à vaidade de seu filho, deveriam estimulá-lo a usar óculos de sol em todas as atividades recreativas, como ir ao parque, praia e clube protegendo a vista dos raios solares nocivos e que vão, com o passar do tempo, acarretar em doenças visuais”.