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SEXO nas bancas

Arquivo Geral

28/02/2004 0h00

Cena um: senhor na casa dos 60 anos olha com atenção os dez títulos de DVDs expostos na prateleira de uma banca de jornal. Pede ao jornaleiro um tema relacionado a algum conto infantil. Cena dois: Em uma outra banca, um executivo de terno escolhe rapidamente um DVD sobre Carnaval. Paga e sai sem olhar para o rosto do dono da banca.

A princípio pode-se pensar que o senhor da cena um escolhe um DVD para os netinhos e o executivo é fanático por desfiles de escola de samba. Poderia. Ambos, na verdade, compraram DVDs eróticos que aportaram timidamente em bancas de jornais há cerca de dois anos e hoje tomaram quase que por completo o local das fitas VHS.

“A média de venda é de quatro DVDs para cada VHS”, compara o dono da banca Maratona (309 Norte), André Sucupira, que começou a vender DVDs eróticos há dois anos. “Vendo, em média, 30 DVDs por mês”, contabiliza.

A clientela, segundo André, é composta 99% de homens casados. “Eles compram quando as mulheres viajam e como o DVD é pequeno fica fácil escondê-lo”, entrega o jornaleiro, contando que a clientela do produto já abre a revista (sempre vem uma revista acoplada ao DVD) dentro da própria banca e leva apenas o DVD. “Alguns clientes, depois de assisti-lo devolvem”, acrescenta.

Se na banca Maratona, a clientela é composta basicamente de homens, o mesmo não ocorre na banca Júnior (210 Norte). “Mesmo que timidamente as mulheres compram e em muitos casos os homens casados compram títulos que as mulheres escolhem, mas não têm coragem de virem sozinhas às bancas”, explica o gerente da banca Júnior, Marcelo Silva de Sá. “Mas, aqui, a maioria da clientela é de homens solteiros”, afirma.

“Compro para me divertir e encomendo títulos específicos que são recomendados pelas revistas especializadas”, garante o funcionário público L.C.M., 56 anos. “Por que teria vergonha de comprar”, questiona ele, que tem uma coleção, segundo afirma, de 30 títulos em casa. “Comecei a comprar em junho do ano passado”, lembra o servidor, que separou-se há um ano da mulher. “De vez em quando, empresto alguns para ela”, acrescenta.

Já o programador visual M.S.S., 27 anos, tem claros objetivos na compra dos DVDs eróticos. “É ótimo para seduzir a mulherada. Chamo a garota para assistir a um filme normal e coloco o DVD erótico no aparelho”, conta. “Enquanto o filme não começa, digo que vou a cozinha preparar umas bebidas e quando volto o filme já está rolando”, acrescenta. “Algumas vezes deu certo”, diz ele às gargalhadas, mas sem muita convicção.

A psicóloga Sandra Costa explica que o uso do DVD erótico no cotidiano não é uma doença quando ele é usado para incrementar uma relação, para divertir-se ou mesmo para aliviar a tensão do dia-a-dia.

“Agora, se a pessoa gastar grande parte do salário com estes produtos e não se relacionar com ninguém – dependendo da intensidade com que assiste –, aí sim, deve ser tratado como um doente”, diagnostica a especialista em comportamento humano.

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    Arquivo Geral

    28/02/2004 0h00

    Cena um: senhor na casa dos 60 anos olha com atenção os dez títulos de DVDs expostos na prateleira de uma banca de jornal. Pede ao jornaleiro um tema relacionado a algum conto infantil. Cena dois: Em uma outra banca, um executivo de terno escolhe rapidamente um DVD sobre Carnaval. Paga e sai sem olhar para o rosto do dono da banca.

    A princípio pode-se pensar que o senhor da cena um escolhe um DVD para os netinhos e o executivo é fanático por desfiles de escola de samba. Poderia. Ambos, na verdade, compraram DVDs eróticos que aportaram timidamente em bancas de jornais há cerca de dois anos e hoje tomaram quase que por completo o local das fitas VHS.

    “A média de venda é de quatro DVDs para cada VHS”, compara o dono da banca Maratona (309 Norte), André Sucupira, que começou a vender DVDs eróticos há dois anos. “Vendo, em média, 30 DVDs por mês”, contabiliza.

    A clientela, segundo André, é composta 99% de homens casados. “Eles compram quando as mulheres viajam e como o DVD é pequeno fica fácil escondê-lo”, entrega o jornaleiro, contando que a clientela do produto já abre a revista (sempre vem uma revista acoplada ao DVD) dentro da própria banca e leva apenas o DVD. “Alguns clientes, depois de assisti-lo devolvem”, acrescenta.

    Se na banca Maratona, a clientela é composta basicamente de homens, o mesmo não ocorre na banca Júnior (210 Norte). “Mesmo que timidamente as mulheres compram e em muitos casos os homens casados compram títulos que as mulheres escolhem, mas não têm coragem de virem sozinhas às bancas”, explica o gerente da banca Júnior, Marcelo Silva de Sá. “Mas, aqui, a maioria da clientela é de homens solteiros”, afirma.

    “Compro para me divertir e encomendo títulos específicos que são recomendados pelas revistas especializadas”, garante o funcionário público L.C.M., 56 anos. “Por que teria vergonha de comprar”, questiona ele, que tem uma coleção, segundo afirma, de 30 títulos em casa. “Comecei a comprar em junho do ano passado”, lembra o servidor, que separou-se há um ano da mulher. “De vez em quando, empresto alguns para ela”, acrescenta.

    Já o programador visual M.S.S., 27 anos, tem claros objetivos na compra dos DVDs eróticos. “É ótimo para seduzir a mulherada. Chamo a garota para assistir a um filme normal e coloco o DVD erótico no aparelho”, conta. “Enquanto o filme não começa, digo que vou a cozinha preparar umas bebidas e quando volto o filme já está rolando”, acrescenta. “Algumas vezes deu certo”, diz ele às gargalhadas, mas sem muita convicção.

    A psicóloga Sandra Costa explica que o uso do DVD erótico no cotidiano não é uma doença quando ele é usado para incrementar uma relação, para divertir-se ou mesmo para aliviar a tensão do dia-a-dia.

    “Agora, se a pessoa gastar grande parte do salário com estes produtos e não se relacionar com ninguém – dependendo da intensidade com que assiste –, aí sim, deve ser tratado como um doente”, diagnostica a especialista em comportamento humano.

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