A sexta edição do projeto Teste de Audiência traz, hoje, às 19h30, mais uma sessão surpresa de um filme inédito e em processo de finalização. Inspirado pelos tradicionais screening tests do cinema norte-americano, os cineastas e produtores Márcio Curi e Renato Barbieri desenvolvem o programa para aproximar o cinema brasileiro do público, que avalia e expõe sua opinião, por meio de questionários, sobre aspectos como roteiro, trilha sonora, duração e personagens, além de peças promocionais como cartaz e trailer.
As respostas são tabuladas e convertidas em um relatório a ser entregue aos realizadores. Ao término da sessão, é feito um debate entre a platéia e os diretores, que após receberem as críticas dos espectadores, podem fazer mudanças nas montagens e aprimorar as estratégias de divulgação e de lançamento.
“O cineasta passa meses e até anos, trabalhando no mesmo filme. Isso faz com que ele perca por completo a capacidade de análise crítica sobre o resultado do trabalho. O teste o acode exatamente nesse aspecto, ao oferecer a opinião dos espectadores que ressaltam os pontos frágeis a serem melhor avaliados para a finalização e lançamento do filme”, conta Márcio Curi.
Até a exibição do filme, o título da obra e nome do diretor não são revelados. A idéia é diversificar cada vez mais a audiência. “Nas temporadas anteriores, as sessões não eram surpresa. Por isso, o público ficava concentrado em admiradores e conhecidos dos diretores ou dos atores, o que gerava uma predisposição à aprovação da obra e enfraquecia a experiência”, conta Márcio. “O fato de ser surpresa também faz as pessoas redescobrirem o prazer de ver um filme sem saber a história. Isso é raro hoje em dia nos lançamentos do mercado, pois o bombardeio de informações sobre os filmes é grande e o público já assiste sabendo o que vai acontecer”, completa.
Desde o seu lançamento, o Teste de Audiência exibiu mais de 20 obras inéditas. Cinco filmes foram testados pelo público: Reflexões de um Liquidificador, de André Klotzel; É Proibido Fumar, de Anna Muylaerte; Quanto Dura o Amor, de Roberto Moreira; Duas da Manhã, de Eduardo Nunes; e Elvis e Madona, de Marcelo Laffitte. As sessões têm batido recordes de platéia, contando com mais de 260 espectadores.
“As pessoas têm apreciado muito o projeto, afinal, é uma oportunidade única de poder debater com o diretor dos filmes que assistem, ao contrário dos cinemas tradicionais, onde as pessoas vão somente para conferir”, conta o cineasta e curador Renato Barbieri. Para a sessão de logo mais, ele dá uma dica: “O filme que será exibido pertence à linha de comédia e o diretor não é estreante.”
| Teste de Audiência – Hoje, às 19h30, no Teatro da Caixa (Setor Bancário Sul, Quadra 4). Entrada franca. Os ingressos são limitados. |