Menu
Promoções

Sérgio Britto sobe ao palco com duas peças de Samuel Beckett

Arquivo Geral

18/06/2009 0h00


De um lado, um velho solitário cuja única companhia é um gravador de rolo. Do outro, um homem que padece em um deserto, sem nada para aliviar sua dor. Esses dois personagens dividem o palco na pele de Sérgio Britto no espetáculo que apresenta A Última Gravação de Krapp e Ato Sem Palavras 1, duas peças curtas de Samuel Beckett, em cartaz de quinta a domingo, no Teatro da Caixa.

Essa é a terceira vez que o veterano Sérgio Britto mergulha no mundo niilista do dramaturgo irlandês, um dos nomes mais representativos do chamado teatro do absurdo. A primeira foi em 1970, sob a direção de Amir Haddad, na peça Fim de jogo e depois em 1985, no espetáculo Quatro Vezes Beckett, dirigido por Gerald Thomas. Desta vez, a direção e a adaptação dos textos ficou por conta de Isabel Cavalcanti.
Sérgio Britto define seu personagem em A Última Gravação de Krapp como um “homem que come bananas, bebe muito e lamenta a morte da esposa, maldizendo a si mesmo”. Solitário, o homem narra os momentos marcantes de sua vida para um gravador, em um monólogo marcado pela auto-ironia.  

O ator explica que utilizou técnicas de interpretação que trabalham com a memória afetiva para externar os sentimentos do personagem. “Isabel queria que eu representasse e sentisse o sofrimento dentro de mim. Ela exigiu que eu pensasse na minha mãe e em uma pessoa que eu perdi. É uma experiência muito aprofundada do personagem solitário que é o Krapp”, avalia.

Em Ato Sem Palavras I, o ator encarna um homem perdido em um deserto, que tenta desesperadamente alcançar uma garrafa de água. “Ele não consegue alcançar nada que aparece para amenizar sua dor”, analisa Britto. A peça foi escrita especialmente para o dançarino e ator Deryk Mendel, por exigir fisicamente do intérprete. “Ele fazia acrobacias e coisas que com 86 anos eu não poderia fazer. Por isso a Isabel fez uma adaptação baseada no trabalho corporal que eu faço há quatro anos com meu sobrinho, para compensar um problema de anemia”, esclarece.

Características como jogos de humor negro e desconstrução da linguagem que marcam a obra de Beckett, além de tê-lo feito ganhar o Prêmio Nobel de Literatura em 1969,  renderam-lhe a fama de hermético junto ao público. No entanto, Britto acredita que estamos no momento certo para apreciar a complexidade de seu universo: “Estamos vivendo um outro tempo. As pessoas têm menos medo do que não conhecem. Eu acredito que as coisas complicadas não são uma questão de entender, mas de sentir”.


Serviço


De 18 a 21 de junho. Quinta, sexta e sábado, às 20h e domingo, às 20h. Ingressos e R$ 20,00 e R$ 10,00. Evento não recomendado para menores de 16 anos.








  Saiba +

Atriz e diretora, Isabel Cavalcanti também se dedica ao estudo da obra de Samuel Beckett. Ela é autora do livro Eu Que Não estou Aí Onde Estou: O Teatro de Samuel Beckett, publicado pela 7 Letras.

Além disso, foi co-curadora do Festival Beckett 100 Anos, realizado no Oi Futuro e no CCBB/Rio em 2006 e interpretou o personagem Clov na peça Fim de Partida, umas das mais conhecidas do autor.

Em 2009, será lançado uma antologia de estudos sobre Beckett, inéditos em português, organizado por Isabel, Flora Süssekind e Marta Metzler

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado