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Sempre há uma luz no fim do túnel

Arquivo Geral

13/01/2006 0h00

Três pessoas, lado a lado, contando uma mesma história com diferentes visões e sem se comunicar entre si. Esta é a linguagem da peça Molly Sweeney, um Rastro de Luz, sobre uma mulher cega que volta a enxergar. O espetáculo, com estréia nacional no CCBB de Brasília, traz Julia Lemmertz, Ednei Giovenazzi e Orã Figueredo, em temporada que vai de hoje até o dia 29.
Os depoimentos dos três contam a saga de Molly Sweeney (Julia), 41 anos, que perdeu a visão aos dez meses de idade e, incentivada pelo marido, Frank (Orã), resolve se submeter a uma cirurgia para recuperar a visão. Dr. Peter Rice (Ednei) é um médico fracassado e vê na possibilidade de fazer Molly enxergar uma chance de recuperar sua carreira.
“Ela construiu um mundo muito particular; e, ao enxergar, se depara com uma situação que nunca viu, com um mundo diferente, e tem de aprender o que é profundidade, cor, formato”, define Julia, em entrevista ao Jornal de Brasília. A atriz já havia interpretado uma deficiente visual na novela O Beijo do Vampiro, quando fez uma preparação no Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro.
Os depoimentos dos três personagens são diferentes. “Muitas vezes se contradizem e em outros convergem no mesmo ponto”, conta Orã. “O mais interessante é que eles jamais se contracenam, falam diretamente para a platéia”. Tenta-se modificar a vida das pessoas. “O marido anseia por fazê-la a voltar a ver, mas depois não sabe lidar com isso, pois ela tem muitas dificuldades”, revela Orã.
A conclusão final é de cada um. “Nós três não falamos para o além, falamos com o público, que vai juntando as três histórias e construindo uma conclusão”, explica Julia.
O texto, baseado em uma história real narrada pelo neurologista Oliver Sacks, é do irlandês Brian Friel. Existem apenas 20 casos registrados em mais de dez séculos de pessoas que voltaram a enxergar. “Na história real, o destino da pessoa, que era um homem, foi trágico: ele enlouqueceu e morreu”, conta Orã. “No teatro, essa volta tão milagrosa toma um outro rumo”. Friel deu uma linguagem humanista e a montagem estreou em 2004, em Dublin, Irlanda, seguida por um sucesso na Broadway (EUA), dois anos depois.
Após cinco anos afastada dos palcos, Julia marca sua volta com o espetáculo. Ao terminar a novela Celebridade, em 2004, ela quis se dedicar ao teatro e descobriu o texto de Brian Friel. Escolheram Brasília.
“Me sinto feliz de estrear na capital”, revelou a atriz, que, na minissérie JK, da Globo, vive a mãe de Juscelino Kubitschek, Julia. “Depois que conheci melhor a história de JK, vejo Brasília com outros olhos, e estou muito emocionada de estar aqui”.
A experiência de viver uma personagem real foi um desafio para Julia Lemmertz, que participa dos 16 primeiros capítulos. “Interpreto ela dos 28 aos 70 anos, e foi difícil”, relata a atriz de 41 anos, mãe de dois filhos.
“Foi bonito fazer essa história de uma família”, continua. “Eu quis fazer uma homenagem a ela, pois foi ela que criou o caráter dele e é uma peça chave. Me identifiquei muito com ela, por esse amor incondicional, dessa dedicação e dessa firmeza dela”.
Depois de JK, Julia quer dar um tempo na televisão para se dedicar à turnê de Molly Sweeney. Enquanto isso, aguarda a estréia do filme O Gatão de Meia Idade, em que interpreta a ex-mulher do personagem principal, vivido por Alexandre Borges, seu marido. Em fevereiro, ela participa das gravações de um filme de Euclides Marinho, sobre as verdades e mentiras da vida sexual das mulheres em diferentes momentos da vida. “Minha base é o teatro, mas adoro fazer TV e cinema. Me sinto privilegiada de poder fazer tudo”, conclui a atriz.

serviço

Molly Sweeney, um Rastro de Luz – Com Julia Lemmertz, Ednei Giovenazzi e Orã Figueredo. De hoje ao dia 29 deste mês, de quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 20h, no Centro Cultural Banco do Brasil. Ingressos a R$ 15 (inteira).

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    13/01/2006 0h00

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    Os depoimentos dos três contam a saga de Molly Sweeney (Julia), 41 anos, que perdeu a visão aos dez meses de idade e, incentivada pelo marido, Frank (Orã), resolve se submeter a uma cirurgia para recuperar a visão. Dr. Peter Rice (Ednei) é um médico fracassado e vê na possibilidade de fazer Molly enxergar uma chance de recuperar sua carreira.
    “Ela construiu um mundo muito particular; e, ao enxergar, se depara com uma situação que nunca viu, com um mundo diferente, e tem de aprender o que é profundidade, cor, formato”, define Julia, em entrevista ao Jornal de Brasília. A atriz já havia interpretado uma deficiente visual na novela O Beijo do Vampiro, quando fez uma preparação no Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro.
    Os depoimentos dos três personagens são diferentes. “Muitas vezes se contradizem e em outros convergem no mesmo ponto”, conta Orã. “O mais interessante é que eles jamais se contracenam, falam diretamente para a platéia”. Tenta-se modificar a vida das pessoas. “O marido anseia por fazê-la a voltar a ver, mas depois não sabe lidar com isso, pois ela tem muitas dificuldades”, revela Orã.
    A conclusão final é de cada um. “Nós três não falamos para o além, falamos com o público, que vai juntando as três histórias e construindo uma conclusão”, explica Julia.
    O texto, baseado em uma história real narrada pelo neurologista Oliver Sacks, é do irlandês Brian Friel. Existem apenas 20 casos registrados em mais de dez séculos de pessoas que voltaram a enxergar. “Na história real, o destino da pessoa, que era um homem, foi trágico: ele enlouqueceu e morreu”, conta Orã. “No teatro, essa volta tão milagrosa toma um outro rumo”. Friel deu uma linguagem humanista e a montagem estreou em 2004, em Dublin, Irlanda, seguida por um sucesso na Broadway (EUA), dois anos depois.
    Após cinco anos afastada dos palcos, Julia marca sua volta com o espetáculo. Ao terminar a novela Celebridade, em 2004, ela quis se dedicar ao teatro e descobriu o texto de Brian Friel. Escolheram Brasília.
    “Me sinto feliz de estrear na capital”, revelou a atriz, que, na minissérie JK, da Globo, vive a mãe de Juscelino Kubitschek, Julia. “Depois que conheci melhor a história de JK, vejo Brasília com outros olhos, e estou muito emocionada de estar aqui”.
    A experiência de viver uma personagem real foi um desafio para Julia Lemmertz, que participa dos 16 primeiros capítulos. “Interpreto ela dos 28 aos 70 anos, e foi difícil”, relata a atriz de 41 anos, mãe de dois filhos.
    “Foi bonito fazer essa história de uma família”, continua. “Eu quis fazer uma homenagem a ela, pois foi ela que criou o caráter dele e é uma peça chave. Me identifiquei muito com ela, por esse amor incondicional, dessa dedicação e dessa firmeza dela”.
    Depois de JK, Julia quer dar um tempo na televisão para se dedicar à turnê de Molly Sweeney. Enquanto isso, aguarda a estréia do filme O Gatão de Meia Idade, em que interpreta a ex-mulher do personagem principal, vivido por Alexandre Borges, seu marido. Em fevereiro, ela participa das gravações de um filme de Euclides Marinho, sobre as verdades e mentiras da vida sexual das mulheres em diferentes momentos da vida. “Minha base é o teatro, mas adoro fazer TV e cinema. Me sinto privilegiada de poder fazer tudo”, conclui a atriz.

    serviço

    Molly Sweeney, um Rastro de Luz – Com Julia Lemmertz, Ednei Giovenazzi e Orã Figueredo. De hoje ao dia 29 deste mês, de quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 20h, no Centro Cultural Banco do Brasil. Ingressos a R$ 15 (inteira).

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