Seis companhias brasilienses representam a capital federal na vitrine da mostra Fringe, do Festival de Teatro de Curitiba. A repercussão dos espetáculos candangos, contudo, até o momento, não conseguiu arrebanhar grande público nem empolgar muito a platéia. Até ontem, as performances dos grupos O Corte (com A Mais Forte) e Grupo Experimental Desvio (com Beckett às Avessas) reuniram juntas uma platéia de 28 espectadores, entre curiosos, imprensa e, principalmente, membros da classe artística.
Uma situação não muito problemática, como considera o diretor Rodrigo Fischer, que participa pela segunda vez do Fringe – a primeira foi em 2003, com Pequena Existência. “O festival não funciona bem como uma vitrine. É complicado, porque num só dia tem umas 45 estréias acontecendo ao mesmo tempo. É mais importante para levar a peça para fora de Brasília, para um público diferente”. Ada Luana, diretora do espetáculo A Mais Forte (em sua terceira versão), acredita no perfil de exposição de talentos do festival. “É uma vitrine e contribui muito com o intercâmbio (entre profissionais cênicos).
O público, considerado por Ada um termômetro para a montagem, não levantou de suas cadeiras (ou do chão, no caso de A Mais Forte). O funcionário público Renato Hungria, 29 anos, pela segunda vez deixou Porto Alegre durante dez dias para acompanhar as novidades do Fringe. “Gostei na primeira vez e me empolguei para vir novamente”, contou. Renato foi, a rigor, o único espectador da primeira exibição da peça do grupo O Corte, na quinta-feira.
Das sete pessoas que constituíam a platéia, dois eram da crítica e quatro eram ligadas à produção do Fringe ou da montagem.
O público enxuto é compreensível. Afinal, o horário dos dois espetáculos, respectivamente às 17h e 23h, dificultou o acesso. “É assim mesmo”, como já se precavera Fischer. Os demais espetáculos que ainda estréiam na programação do Fringe serão A Farsa dos Pixreals (do Teatro Caleidoscópio), 2x=1 Com um Pouco de Anilina (Companhia Ato Livre), Cora Dentro de Mim (Núcleo Otello de Pesquisa e Produção Teatral), Seis Atores à Procura de um Autor e Quem Tem Medo de Virginia Woolf, ambos capitaneados pela direção do uruguaio-brasiliense Hugo Rodas. (G.L.)