Menu
Promoções

Segundo dia não decepcionou

Arquivo Geral

20/07/2004 0h00

O domingo, com uma orientação musical bem mais pop, lotou o estacionamento do Mané Garrincha. O dia da diversidade traria boas surpresas e apresentações inesquecíveis. Logo de cara, a brasiliense Síndrome do Caos, com seu hip hop com forte tempero percursivo, seguindo o lastro deixado por Chico Science, mostrou que os integrantes estão em busca da batida perfeita. Adiantaram aquele que seria o melhor show da noite, o de Marcelo D2.

Antes de Marcelo D2, contudo, a platéia se divertiria com alguns shows bacanas e surpreendentes. Foi o caso da banda potiguar Bugs, com seu som indie afinado e com boas letras. Um nome a se guardar. Outra grata e explosiva aparição foi a da provocadora Nancyta e os Grazzers. A pimentinha baiana mandou abrir a roda com todo seu carisma e um som pesado que lembrava em vários momentos PJ Harvey. Foi atendida na hora.

O Rumbora mostrou competência e fez o primeiro show a agitar de verdade o público. Velhos conhecidos do Porão, tocaram um skacore cada vez mais ganchudo e maduro. E os gaúchos do tão falado Cachorro Grande, mesmo sem empolgar tanto, revelaram potência sonora, com um rock retrô extremamente bem tocado. Foram responsáveis pelo melhor momento individual do Porão, dividindo o palco com o veterano Lobão numa versão sincera de Helter Skelter, dos Beatles. Emocionante.

No palco secundário, a diversidade abriu as portas, por sua vez, para o experimentalismo das brasilienses João Ninguém, com uma música atonal a la Arrigo Barnabé dos tempos de Clara Crocodilo, e dos Cachorros das Cachorras, com o vocalista Kafagérson entrando praticamente pelado no palco, usando apenas um desentupidor de pia escondendo o sexo. Ousou e anunciou antes de qualquer reação mais forte da platéia: “Arte é desnudar-se”.

No meio do caminho, uma pedra. O show de Supla estava apenas começando, e empolgando a galera, quando o baterista foi atingido por uma pedra. Uma nota dissonante e vergonhosa. A multidão perdeu aquela que prometia ser uma grande performance.

Mas, a noite era mesmo de Marcelo D2 e do Rappa. O primeiro, completamente à vontade, desnudou sua fusão de samba, rock e hip hop para o delírio do público que nesta hora lotava o Porão. Estava todo mundo dominado. Uma maré de mãos levantadas, sob o comando de D2, compôs um cenário de completa harmonia. Rodeado de músicos competentes, o artista provou que está chegando lá em sua busca da batida perfeita.

O Rappa, cantando às 3h da manhã, fez também um grande espetáculo, bem na medida. Sem estar familiarizado com as músicas do novo disco do grupo, O Silêncio Q Precede o Esporro, o público concentrou energia nos hits dos trabalhos anteriores Lado B Lado A e Rappa Mundi. Valeu o cansaço de mais uma maratona roqueira. O Porão mostrou que está ainda com todo o gás. E vale mudar a fórmula. Música é diversidade. Que seja assim nos dois dias de festa.

    Você também pode gostar

    Segundo dia não decepcionou

    Arquivo Geral

    20/07/2004 0h00

    O domingo, com uma orientação musical bem mais pop, lotou o estacionamento do Mané Garrincha. O dia da diversidade traria boas surpresas e apresentações inesquecíveis. Logo de cara, a brasiliense Síndrome do Caos, com seu hip hop com forte tempero percursivo, seguindo o lastro deixado por Chico Science, mostrou que os integrantes estão em busca da batida perfeita. Adiantaram aquele que seria o melhor show da noite, o de Marcelo D2.

    Antes de Marcelo D2, contudo, a platéia se divertiria com alguns shows bacanas e surpreendentes. Foi o caso da banda potiguar Bugs, com seu som indie afinado e com boas letras. Um nome a se guardar. Outra grata e explosiva aparição foi a da provocadora Nancyta e os Grazzers. A pimentinha baiana mandou abrir a roda com todo seu carisma e um som pesado que lembrava em vários momentos PJ Harvey. Foi atendida na hora.

    O Rumbora mostrou competência e fez o primeiro show a agitar de verdade o público. Velhos conhecidos do Porão, tocaram um skacore cada vez mais ganchudo e maduro. E os gaúchos do tão falado Cachorro Grande, mesmo sem empolgar tanto, revelaram potência sonora, com um rock retrô extremamente bem tocado. Foram responsáveis pelo melhor momento individual do Porão, dividindo o palco com o veterano Lobão numa versão sincera de Helter Skelter, dos Beatles. Emocionante.

    No palco secundário, a diversidade abriu as portas, por sua vez, para o experimentalismo das brasilienses João Ninguém, com uma música atonal a la Arrigo Barnabé dos tempos de Clara Crocodilo, e dos Cachorros das Cachorras, com o vocalista Kafagérson entrando praticamente pelado no palco, usando apenas um desentupidor de pia escondendo o sexo. Ousou e anunciou antes de qualquer reação mais forte da platéia: “Arte é desnudar-se”.

    No meio do caminho, uma pedra. O show de Supla estava apenas começando, e empolgando a galera, quando o baterista foi atingido por uma pedra. Uma nota dissonante e vergonhosa. A multidão perdeu aquela que prometia ser uma grande performance.

    Mas, a noite era mesmo de Marcelo D2 e do Rappa. O primeiro, completamente à vontade, desnudou sua fusão de samba, rock e hip hop para o delírio do público que nesta hora lotava o Porão. Estava todo mundo dominado. Uma maré de mãos levantadas, sob o comando de D2, compôs um cenário de completa harmonia. Rodeado de músicos competentes, o artista provou que está chegando lá em sua busca da batida perfeita.

    O Rappa, cantando às 3h da manhã, fez também um grande espetáculo, bem na medida. Sem estar familiarizado com as músicas do novo disco do grupo, O Silêncio Q Precede o Esporro, o público concentrou energia nos hits dos trabalhos anteriores Lado B Lado A e Rappa Mundi. Valeu o cansaço de mais uma maratona roqueira. O Porão mostrou que está ainda com todo o gás. E vale mudar a fórmula. Música é diversidade. Que seja assim nos dois dias de festa.

      Você também pode gostar

      Assine nossa newsletter e
      mantenha-se bem informado