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Sanfonas e cavações na primeira noite da mostra competitiva do Festival de Brasília

Arquivo Geral

20/11/2008 0h00

Anna Beatriz Lisbôa, da redação do Clicabrasilia

O som da sanfona de Dominguinhos embalou a primeira noite da mostra competitiva do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O longa O Milagre de Santa Luzia, de Sérgio Roizenblit, foi bastante aplaudido pelo público no fim da noite. Sua proposta era audaciosa: nos revelar em pouco mais de uma hora e quarenta toda a riqueza do Brasil sanfoneiro. “Mais do que um filme sobre o Brasil da sanfona, é um filme sobre o Brasil não oficial, o Brasil real, escondido da mídia, mas pulsante”, afirmao cineasta.


 


E é com esse princípio em mente que o diretor se pôs na estrada, na companhia de Dominguinhos, e percorreu o Brasil de Caruaru, em Pernambuco, a Bagé, no Rio Grande do Sul. Ao longo do percurso, vemos contrastar o xote nordestino, com a gaita estilo italiana dos gaúchos e o ritmo sincrético dos sanfoneiros de São Paulo, que misturam o acordeom ao rap, ao jazz e aos ritmos japoneses.


 


Roizenblit também tira enorme proveito do contraste entre as paisagens, com uma fotografia delicada, que contempla tanto a luz estourada do sertão quanto à amplitude dos pampas gaúchos. Aliás, o filme todo transborda de delicadeza e poesia, com personagens que cativam pelo seu amor e dedicação à música. Além disso, a admiração do diretor por todos eles transparece em todos os planos.


 


As longas seqüências de paisagens acabam se tornando cansativas e a última metade do filme parece mais arrastada. No entanto, com a simpática figura de Dominguinhos como guia, a viagem nunca deixa de ser agradável.


 


Os dois curtas que antecederam o documentário dividiram opiniões. A Mulher Biônica, do cearense Armando Praça abriu a noite. O filme é baseado no conto Creme de Alface, de Caio Fernando de Abreu, e se atém à rotina de Marta no subúrbio da metrópole. O elenco é comandado por mulheres igualmente falantes e briguentas, porém, os momentos mais eloqüentes do filme são justamente os silêncios da personagem principal. O cansaço e o desgaste da Marta estão na expressão da atriz Ceronha Pontes, revelando toda a sensibilidade da Mulher Biônica.


 


O segundo curta, Que Cavação é Essa? dos cariocas Estevão Garcia e Luís Rocha Melo cria um documentário fictício, supostamente produzido pelo idos de 1910, para falar sobre a questão da restauração de filmes e da preservação da memória cinematográfica brasileira. “O filme é sobre o tempo”, explica Estevão, “e sobre os efeitos estéticos que o tempo causa nos filmes”. De fato o filme brinca com a estética dos filmes mudos, criando um documentário pastelão sobre a vida na fazenda do Coronel Alexandrão antes de um incêndio que destruiu a propriedade. Os personagens se metem em situações esdrúxulas, que são narradas por legendas em português arcaico.

O Clicabrasilia pegou opinião de dez pessoas que acompanharam a mostra. Confira abaixo.


 


A Mulher Biônica (curta 35mm)


Ótimo: 0


Bom: 2


Regular: 7


Ruim: 1


 


Que Cavação é Essa? (curta 35 mm)


Ótimo: 1


Bom: 6


Regular: 2


Ruim:1


 


O Milagre de Santa Luzia (longa 35mm)


Ótimo: 5


Bom: 5


Regular: 0


Ruim: 0


 


Serviço



11h
, Hotel Nacional, Salão Vermelho Ala B, acesso livre
Debate com as equipes dos filmes da Mostra Competitiva 35mm exibidos na noite anterior no Cine Brasília.


 


14h30, Hotel Nacional, Sala 11, acesso livre


Seminário O cinema pensa a linguagem: Macabéa Vai ao Cinema
(30 Anos da Morte de Clarice Lispector – 20 Anos do filme A Hora da Estrela)


14h30, Sala Alberto Nepomuceno, Teatro Nacional Claudio Santoro, entrada franca


Mostra Petrobras Revelando os Brasis III
Paixão e Alegria, de Adner de Almeida Sena, MG
Engenho Novo, de Carlos Rodrigues Sandim, MS
O Circo Chegou, de Thiago de Souza Santos, SP
Os Faxinais: Uma História de Luta e Amor a Terra, de Priscila Ernest, PR


14h30, Sala Martins Pena, Teatro Nacional Claudio Santoro, entrada franca.
Mostra Competitiva 16mm e debate
O Beijo da Meia-Noite, de Jefferson Matoso, 14min, DF
Na Trilha das Guerreiras, de William Allves, 40min, DF
Ouroboro, de Maurício Antonângelo, 17min, SC
Varenick com Vatapá, de Marcelo Szykman, 18min, SP
V.I.D.A., de Geison Ferreira e Vinícius Zinn, 23min, SP
Mostra Brasília 16mm
Sobre Ovelhas e Lobos, de Ignácio Amaral, 8min, DF
A Casa da Mãe, de João Paulo Osterno de Macedo, 33min, DF


15h, Hotel Nacional, Salão Vermelho Ala A, acesso livre
III Seminário Locações Brasil
A economia criativa – Alessandra Meleiro


16h e 19h30, CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil
Mostra Competitiva 35mm
A Mulher Biônica, de Armando Praça, 19min, CE
Que Cavação É Essa?, de Estevão Garcia e Luís Rocha Melo, 19min, RJ
O Milagre de Santa Luzia, de Sergio Roizenblit, 104min, SP


20h30 e 23h30, Cine Brasília
Mostra Competitiva 35mm
Nº 27, de Marcelo Lordello, 19min, PE
Cidade Vazia, de Cássio Pereira dos Santos, 13min, DF
FilmeFobia, de Kiko Goifman, 80min, SP

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