Virou piada no meio: toda semana capota um caminhão de dinheiro na porta da Record. Desde que essa emissora foi adquirida pelos seus atuais proprietários, isso pelos idos de 1989, o aspecto financeiro nunca foi problema para o seu crescimento. Está muito bem-equipada, tem uma rede forte, mas só agora existe maior interesse em ajustar a sua programação. É sabido por todos que a sua receita, ao contrário de todas as outras, não é proveniente apenas da venda dos seus espaços comerciais. Só para se ter uma idéia de como a coisa funciona, na recente Feira de Las Vegas, foram adquiridos cerca de US$ 30 milhões em equipamentos, incluindo-se aí um helicóptero moderníssimo que foi paquerado por todas as outras emissoras brasileiras. Foi comprado à vista. Isso torna as coisas mais fáceis, porém é preciso que a sua direção entenda que não é só o dinheiro que resolve. Serão necessários alguns movimentos para chegar lá. O objetivo de agora é alcançar o SBT. Pelo panorama que se apresenta, isso pode ser possível, até pela inaptidão da concorrente. Mas outros detalhes devem ser levados em consideração, por exemplo: a Record não pode se deixar dominar pela ansiedade, de querer colocar a carroça na frente dos bois. É o caso da aquisição dos estúdios de Renato Aragão no Rio de Janeiro. Partiram daqui as suspeitas de que o local não estava apto a receber novelas. Suspeitas estas endossadas por ex-funcionários da Globo e também por Herval Rossano, que deveria trabalhar lá a primeira produção das 21 h. Resta saber quando esses estúdios estarão disponíveis, uma vez que a emissora pretende, já a partir de março de 2006, exibir em sua grade três horários de novelas.