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Russos e árabes mostram diferente mundos e mesmas preocupações em Veneza

Arquivo Geral

07/09/2007 0h00

Depois do racionalismo europeu, do pragmatismo americano e da sensibilidade asiática, o cineasta russo Nikita Mikhalkov e os egípcios Youssef Chahine e Khaled Youssef mostraram nesta sexta-feira seus mundos no Festival de Veneza, tão diferentes na forma, mas bem similares no conteúdo.

“Este filme foi uma forma de mostrar os grandes assuntos humanos, os mesmos tratados por Dostoiévski, Tolstói e Tchékhov”, disse o diretor russo. Ele concorre ao Leão de Ouro – troféu que premia o melhor filme – pela segunda vez, depois de ter vencido em 1991 por Urga, o Território do Amor.

Mikhalkov aproveitou 12, seu último trabalho, para fazer um retrato da Rússia atual. O filme é baseado na peça teatral Twelve Angry Men, de Reginald Rose, traduzida no Brasil como Doze Homens e uma Sentença.

A guerra da Chechênia, o terrorismo, a corrupção, as máfias e a necessidade de fazer algo para mudar a situação compõem o cenário do filme.

Em Doze Homens e uma Sentença, um júri de 12 homens tem que decidir se um suspeito é culpado ou não, em um processo no qual diferentes motivações vão surgindo entre os jurados até o veredicto.

Em 12, o acusado – um checheno – é a desculpa para trazer ao filme outros réus, que vão desde fantasmas pessoais a monstros reais de cada jurado, passando pelas convenções sociais. Em meio a estes assuntos, a história – que teve uma primeira adaptação para o cinema dirigida por Sydney Lumet em 1957 – propõe que, seja qual for a decisão final, os 12 homens terão que assumir uma responsabilidade. Tal responsabilidade implica no futuro da vida do checheno, mesmo se ele for declarado inocente.

Se pensarmos que o acusado representa a Rússia, o filme de Mikhalkov – ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro por O Sol Enganador, em 1994 – pode ser entendido como uma convocação para que cada russo enfrente suas próprias responsabilidades.

Isso também ocorre em Heya Fawda, dos egípcios Chahine e Youssef, onde a sociedade tem que encarar um policial corrupto e seu poder impiedoso. Retratando os costumes locais, o filme mostra um policial, Hatem (Khaled Saleh), obcecado por sua vizinha Nour (Mena Shalaby), a única capaz de fazer frente a ele.

“Quis mostrar o destino dos meus compatriotas, que têm tão pouco a dizer quanto à forma como nosso país é comandado. Carentes de quase tudo – educação, meios de comunicação-, sofrem uma forte repressão das autoridades”, disse Chahine, de 81 anos.

Os diretores comentaram que os dois filmes são, além disso, uma reflexão sobre a necessidade da democracia. Mikhalkov alega falar da democracia em “seu sentido mais primitivo”; ou seja, “que cada pessoa tome decisões por si mesma”.

Chahine, por sua vez, o faz com um pensamento mais coletivo: “basta observar a miséria na qual a maior parte das famílias vive para compreender que em toda autocracia o povo é que paga o preço mais caro”.

Com isso, 12 e Heya Fawda puseram ponto final à Mostra Competitiva, que terá o vencedor anunciado neste sábado. Ao todo, 23 filmes concorrem ao Leão de Ouro deste ano. A cerimônia será realizada às 19h (14h em Brasília).

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