As diarréias na infância podem ser provocadas por causas diversas. Uma das mais comuns, entre as consideradas graves, é provocada pelo rotavírus. Nos países em desenvolvimento, a rotavirose é responsável por cerca de 20% dos óbitos por doenças diarréicas infantis e de 5% do total de óbitos entre crianças com idades inferiores a 5 anos.
No Brasil, os primeiros casos de rotavírus foram descobertos em 1976, mas ainda é necessária a realização de estudos complementares e específicos sobre seu real impacto no País. Nesse sentido, o Ministério da Saúde está desenvolvendo um projeto de vigilância epidemiológica das gastroenterites por rotavírus no Brasil para determinar o exato impacto da doença.
“A nossa meta é conhecer melhor a ocorrência de casos de rotavirose no País, para apoiar a adoção de medidas de prevenção e controle”, afirma o coordenador-geral das Doenças Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do ministério, Eduardo Hage Carmo.
Inicialmente, foram realizados sete cursos de capacitação em monitorização das doenças diarréicas agudas (MDDA) e em vigilância epidemiológica do rotavírus para profissionais de saúde. “Aproximadamente, 150 pessoas já realizaram esses cursos”, destaca Eduardo Hage.
implementaçãoAs ações de vigilância epidemiológica estão sendo implementadas em municípios-piloto em pelo menos um estado de cada região do País. Nesses municípios, a partir do atendimento de crianças menores de 5 anos com diarréia na rede de assistência, serão coletadas amostras de fezes para identificação dos agentes etiológicos responsáveis.
As amostras que resultarem positivas para rotavírus serão submetidas aos métodos de biologia molecular para identificação das cepas predominantes.
Com a realização da detecção ao longo do ano, será possível estimar a importância desses agentes na ocorrência de diarréias em crianças nessa faixa etária, bem como estabelecer qual a época do ano em que ocorre maior proporção de casos de diarréia por rotavírus.
A consolidação da vigilância epidemiológica para rotavírus em todo o Brasil permitirá a identificação precoce de surtos de diarréia provocados por esses agentes e a adoção de medidas adequadas de prevenção e controle.
O trabalho também envolve a produção de insumos para o diagnóstico da infecção pelo rotavírus. Isso é feito por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-RJ), que os distribui aos Laboratórios Centrais de Referência em Saúde Pública dos Estados (Lacen). Esses laboratórios contam com pessoal capacitado para realização de exames que possibilitam a detecção do vírus.
vacinaAs informações produzidas pela rede de vigilância epidemiológica subsidiarão a definição sobre a possível indicação de uso de uma vacina contra rotavírus.
Além dessas informações, serão consideradas a conclusão dos estudos sobre a eficácia da vacina, desenvolvidos pelos laboratórios produtores, e a avaliação de sua segurança. Aspectos operacionais também serão levados em conta nessa definição. Entre eles, o número de doses necessárias e o custo da vacinação.